ED FERREIRA/ESTADÃO
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Para Nardes, 'bicicleta do País pode quebrar'

Ministro do TCU, que é relator das contas do governo, fez referência às pedaladas fiscais, manobra fiscal adotada pelo Planalto e que é alvo de questionamentos na Corte

Ana Fernandes, Ricardo Chapola, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2015 | 02h02

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, relator das contas do governo Dilma Rousseff de 2014 a serem julgadas na corte nos próximos meses, disse ontem que, se o Brasil não tomar cuidado, "a bicicleta também pode quebrar". Nardes fez a referência às pedaladas fiscais, prática do Tesouro de atrasar repasses para bancos públicos para melhorar artificialmente as contas. A manobra fiscal adotada pelo governo federal é alvo de questionamentos no TCU.

Nardes disse ainda considerar "positivo" o fato de o governo enviar uma proposta orçamentária ao Congresso prevendo déficit. "É positivo, pois temos que mostrar a realidade. Não podemos continuar pedalando porque a Grécia teve a Europa que a salvou e não temos a Europa para salvar o Brasil."

Segundo ele, em seu Estado, o Rio Grande do Sul, "a bicicleta já quebrou". Nardes fez palestra em São Paulo durante evento da revista Exame em que falou sobre o papel fiscalizador dos tribunais de contas.

Julgamento. Nardes disse que o julgamento das contas de Dilma pode se estender até outubro. Depois de um prazo inicial de 30 dias para o governo esclarecer irregularidades nas contas, o TCU estendeu duas vezes esse tempo e, agora, o governo tem até 11 de setembro para apresentar sua posição.

"Há um rito que as pessoas não conseguem entender. Claro que cria uma pressão para vocês que estão noticiando, mas a pressão sobre mim é muito maior para relatar essa matéria", disse e o ministro.

Depois que o governo apresentar sua defesa, o TCU tem de elaborar dois pareceres para então o caso ir a julgamento em plenário. A recomendação do TCU é enviada ao Congresso. Eventual reprovação pelos parlamentares pode ensejar pedido de impeachment de Dilma. "Não podemos continuar pedalando porque a Grécia teve a Europa que a salvou e não temos a Europa para salvar o Brasil.", disse.

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