Para não influir em conselho, Mercadante pode deixar liderança

Senador desafia cúpula petista e avisa que não indicará aliados de Sarney para Conselho de Ética

CAROL PIRES, Agencia Estado

18 de agosto de 2009 | 20h07

Pressionado pelo Palácio do Planalto, pela cúpula do PMDB e pela direção do PT a preencher duas vagas de titular do Conselho de Ética do Senado com representantes do bloco governista favoráveis a Sarney, o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), recusou-se a fazer o "serviço", e pôs o cargo à disposição.

 

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"Esse tipo de coisa eu não faço. Se for para fazer, que seja com outro líder", disse Mercadante ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

 

A base de apoio ao governo tem direito a quatro vagas no Conselho de Ética, mas como os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) e João Ribeiro (PR-TO) renunciaram às vagas e Mercadante não nomeou novos senadores para o Conselho, quem votará pela base serão os suplentes Delcídio Amaral (PT-MS) e Ideli Salvatti (PT-SC).

 

Mercadante recebeu dois ofícios solicitando a indicação para o conselho do senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) e do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O preenchimento das vagas de titular é a única saída para dar tranquilidade ao PMDB e a Sarney na votação dos recursos contra o arquivamento das 11 ações apresentadas contra ele.

 

A contabilidade da cúpula peemedebista indica que, dos 16 votos no plenário do conselho - incluindo aí o presidente Paulo Duque (PMDB-RJ), que só vota em caso de empate, e o corregedor da Casa, Romeu Tuma (PTB-SP) -, seis votos são contrários a Sarney: cinco da oposição (DEM e PSDB) e um do PDT. Daí o esforço para evitar que o terceiro suplente - o petista Eduardo Suplicy (SP) - seja chamado a votar. Suplicy já antecipou sua posição favorável à abertura de um processo no conselho contra o presidente do Senado e outro contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).

 

Nesta terça, no plenário do Senado, Suplicy sugeriu a Sarney e ao líder tucano que se dispusessem a comparecer ao conselho, antes da votação dos recursos, para responder "a toda e qualquer questão e esclarecer as dúvidas". Ele explicou que votaria a favor do recurso da oposição porque havia dúvidas que precisavam ser esclarecidas.

 

Virgílio manifestou-se de pronto, prometendo presença na reunião e dispondo-se a responder às indagações dos colegas. Da cadeira de presidente do Senado, Sarney respondeu que era parte interessada e, por essa razão, não poderia responder naquele instante.

 

Pressão

 

A pressão sobre o líder petista aumentou por conta do racha da bancada petista e da recusa dos dois primeiros suplentes do bloco - a líder do governo no Congresso, Ideli Salvati (SC), e o senador Delcídio Amaral (MS) - a votar em favor de Sarney, temendo desgaste nas eleições de 2010. Para o líder do PMDB, Renan Calheiros, no entanto, o temor da dupla de petistas não se justifica.

 

Para comprovar sua tese de que o apoio a Sarney não impõe desgaste político ao apoiador, Renan citou pesquisa do Instituto Datafolha sobre a sucessão presidencial de 2010, publicada no fim de semana. "Ficou provado que o presidente Lula conservou sua popularidade e a ministra (e candidata do PT) Dilma Rousseff (Casa Civil) manteve as intenções de voto para presidente", disse Renan, para destacar em seguida: "Quem caiu um ponto porcentual em relação ao levantamento anterior foi o candidato da oposição, (governador paulista) José Serra (PSDB)".

 

Embora avaliasse que a pesquisa "tira um peso do PT", como disse Renan, o PMDB ainda insistiu nas substituições, lembrando que também o PR do senador Expedito Júnior (RO) se oferecera para ocupar uma das vagas de titular.

 

A ameaça de renúncia não é novidade. Desde a semana passada, quando foi informado por Ideli e Delcídio que ambos pretendiam se ausentar da votação no conselho, o líder petista negara-se a fazer substituições à última hora, temendo ser o único responsabilizado pela vitória de Sarney perante a opinião pública.

 

Colaborou Carol Pires, da Agência Estado

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