Para ministro, só convenção pode definir posição do PMDB

O ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, disse hoje que só uma convenção nacional do PMDB poderia dizer que a base do partido é contra a participação no governo. Hoje, durante reunião de governadores do PMDB discutiu em São Paulo a relação do partido com o governo, provocada por uma ala que defende a independência. "Essa disputa sobre quem é majoritário ou minoritário, essa clareza nós só teríamos se fosse uma definição de convenção nacional. No mais, são posicionamentos, e muitos deles conhecidos há muito tempo, que respeitamos", ponderou Eunício.No esforço de superar a crise, o ministro chamou hoje de manhã para o seu gabinete o líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), com o pretexto de participar da posse de dois novos diretores da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ao discursar na cerimônia, o ministro ironizou notas publicadas hoje nos jornais sinalizando sua saída do ministério, caso os defensores da independência se tornassem majoritários. "Se eu tiver que cair o Borba vai servir de colchão", brincou o ministro, olhando para o líder, que o sucedeu no cargo na Câmara. Em seguida Eunício fez a defesa pública da política do governo Lula, inclusive a econômica, e apoiou a frase sempre repetida pelo presidente, de que não se pode governar para a próxima eleição. "Temos que governar, pelo menos, para a próxima geração", comentou.Borba permanecia quieto, desempenhando seu papel de levar ao governo a voz dos descontentes na bancada do PMDB. Juntos, porta-voz e bombeiro, estiveram ontem no Palácio por toda a tarde tentando encontrar uma saída para a crise, que começou com a declaração de obstrução de votações na Câmara após as eleições.Segundo Eunício, a obstrução do PMDB na Câmara, apoiada por Borba, foi feita para fazer um "freio de arrumação" na bancada, onde muitos estavam magoados com o processo eleitoral. "Tem mágoas, ressentimentos, tem arestas a aparar, tem entendimentos a serem feitos, mas nada que o PMDB não supere", disse Eunício, após cerimônia de posse dos diretores da Anatel. Para ele, os que pregam o afastamento do governo, como o senador Pedro Simon (RS), e os governadores de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, e do Distrito Federal, Joaquim Roriz, sempre foram contra a participação do partido no governo. "Não há novidade nisso", avaliou.

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