Para ministro do Esporte, denúncias servem para corrigir falhas

Orlando Silva afirma que irregularidades apontadas pelo 'Estado' no programa Segundo Tempo serão avaliadas por comissão ministerial

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 19h12

O ministro do Esporte, Orlando Silva, disse nesta quinta-feira, 24, que "algumas denúncias que foram feitas sobre o programa Segundo Tempo devem servir de oportunidade para identificar eventuais lacunas e falhas que existem para corrigi-las" durante conversa com jornalistas no Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

No último domingo, 20, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou distribuição de recursos a organizações não governamentais de aliados do PC do B, partido do ministro, e flagrou convênios com entidades de fachada ou em situação precária e de abandono. "Eu montei uma comissão no Ministério para avaliar cada uma das denúncias que foram feitas por um jornal de São Paulo e ao final desse trabalho espero poder, identificados os erros, corrigi-los de modo que os objetivos do programa, que é oferecer esporte, lazer e recreação às nossas crianças, se realize", ressaltou Silva.

Para o ministro, "as matérias publicadas algumas vezes distorcem certos fatos". Como exemplo, Silva afirmou que duas entidades, de Goiás e Brasília, não iniciaram o programa porque a pasta não autorizou. "O programa prevê a chamada ordem de início, e o ministério só autoriza o início depois de contratados os profissionais, adquiridos os materiais, as instalações onde serão desenvolvidas as atividades checadas", destacou. "Duas dessas entidades não iniciaram porque nós não autorizamos", insistiu.

Além disso, Silva sustentou que nas relações de sua pasta com as prefeituras e entidades não levam em conta "a cor do partido, sejam de dirigentes de ONGs, sejam prefeitos". O ministro repetiu que o programa Segundo Tempo é voltado à inclusão social de crianças e jovens através do esporte e tem como principal parceiro o poder público e não as ONGs. "É um programa que 90% de sua execução se dá através de convênios com prefeituras, governos estaduais e alguns órgãos federais".

Silva considerou as denúncias como "parte do processo" em que "a imprensa cumpre seu papel de fiscalizar o governo e de oferecer críticas". E emendou garantindo que isso é utilizado pelo governo. "O que nós fazemos hoje é processar essas críticas para melhorar a gestão". O ministro repetiu, ainda, que "a Casa Civil do Palácio tem acompanhado todas as informações que nós temos oferecido e transmitido a máxima confiança no trabalho que realizamos".

Questionado sobre a possível perda de espaços do PC do B no governo federal por conta do episódio, Silva sustentou que isso não ocorre "de maneira nenhuma". O ministro reafirmou que "no processo de discussão em curso não houve nenhum prejuízo" e que, "ao contrário, temos conversado muito proximamente com o Palácio do Planalto sobre esse e outros temas, sobretudo Copa do Mundo".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.