Para ministro, aumento de recursos em anos eleitorais não é 'estranho'

Em Curitiba, Orlando Silva declarou que área esportiva teve aumento de investimentos e voltou a defender o Programa Segundo Tempo

Evandro Fadel, de O Estado de s. Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 15h52

CURITIBA - O ministro dos Esportes, Orlando Silva, disse nesta sexta-feira, 25, em Curitiba, não considerar "estranho" que repasses de verbas para entidades e organizações não governamentais responsáveis por gerir o Programa Segundo Tempo, de seu ministério, tenham dobrado em anos eleitorais, conforme mostrado em reportagem do Estado. "A mim não parece estranho porque o fato é que de 2003 até 2010, ano após ano há o crescimento do investimento no esporte", afirmou Silva.

 

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Questionado novamente sobre a coincidência dos aumentos nos anos eleitorais de 2008 e 2010, o ministro disse que "a série é diferente dessa série que você se refere aqui". "E eu insisto: há uma ampliação sistemática dos recursos que são repassados para entidades privadas e para entidades públicas", afirmou. "Então para mim não causa estranheza, eu não vejo fantasma." Silva acentuou várias vezes que não há seleção ou discriminação política na liberação de recursos. "Para nós o que houve é um crescimento sistemático dos investimentos, e nós não separamos os anos entre anos eleitorais e não eleitorais, até porque no Brasil ano sim, ano não, nós temos eleições."

O ministro referiu-se a "um caso falado de uma pessoa que tem relação com o meu partido numa determinada entidade do Piauí". Trata-se da Federação das Associações dos Moradores do Piauí (Famepi), presidida pelo dirigente do PC do B no Estado Raimundo Mendes da Rocha. Ela teria recebido R$ 4,2 milhões, mas os núcleos esportivos do programa estariam abandonados. "Essa entidade tem convênios com o governo federal há 15 anos", disse Silva. "Se o presidente Fernando Henrique Cardoso à época não fez nenhum tipo de discriminação com a entidade que tinha alguém que era de um partido de oposição, não serei eu que vou fazer neste momento." O Ministério Público Federal apura o trabalho realizado pela Famepi no Segundo Tempo.

O ministro disse que tem feito os esclarecimentos necessários, por considerar que essa é a obrigação do gestor público. "Estou serenamente acompanhando todo esse processo e ofertando todos os esclarecimentos que órgãos de imprensa, particularmente um jornal de São Paulo, tem nos solicitado", afirmou. Segundo ele, já foi determinado que as denúncias sejam apuradas internamente. Ele acredita que no prazo de 15 dias terá um relatório preliminar. "Temos que ter paciência, prestar esclarecimento, prestar informações para que a sociedade tenha segurança, que é a minha segurança da boa utilização dos recursos públicos."

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