ANDRÉ DUSEK|ESTADAO
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Para ministro, resolução do PMDB sobre filiações 'não é saudável' para o partido

Marcelo Castro, da Saúde, uniu-se ao presidente do Senado, Renan Calheiros, nas críticas à resolução aprovada hoje pela sigla; para ele, Michel Temer 'tomou partido' a favor do grupo pró-impeachment

Igor Gadelha e Erich Decat, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 19h38

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB-PI), uniu-se nesta quarta-feira, 16, ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nas críticas à resolução aprovada hoje pela Executiva Nacional do PMDB que estabelece que as filiações de deputados federais ao partido devem ser avalizadas pelo comando da sigla. Para Castro, a decisão "não é saudável" à legenda.

A elaboração do documento foi articulada pelo vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, para barrar movimento do Palácio do Planalto para restituir o deputado Leonardo Picciani (RJ) à liderança da sigla na Câmara. Considerado pró-governo, o parlamentar carioca foi destituído do cargo na semana passada pela ala do PMDB pró-impeachment.

"Acho que vai dar um arbítrio muito grande. E tudo que tem um arbítrio, um poder discricionário, gera conflito. Eu nunca vi nenhum partido fazer isso", afirmou Castro, após audiência na Câmara. O peemedebista é deputado federal e foi indicado por Picciani para o Ministério da Saúde na última reforma ministerial realizada em outubro.

Questionado sobre a influência de Temer no processo de substituição de Picciani da liderança, o ministro avaliou que o vice-presidente "tomou partido" a favor do grupo pró-impeachment. "É claro que tomou. É claro que ele está francamente trabalhando pela liderança do Leonardo Quintão. Isso aí é mais do que óbvio", disse.

Apesar de citar a interferência de Temer, Castro afirmou não saber a posição do vice-presidente a respeito do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. "Se está trabalhando pelo impeachment, honestamente eu não sei. Eu sei que o Michel Temer, presidente do nosso partido, com relação à liderança do PMDB na Câmara, tomou um partido. Ele e o Eduardo Cunha (presidente da Câmara) estão juntos para tirar liderança do Leonardo Picciani", declarou.

Retrocesso. Antes da declaração do ministro, o presidente do Senado, Renan Calheiros, classificou como um "horror" e um "retrocesso democrático" a resolução aprovada hoje pela Executiva. Ao lado do líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), Calheiros criticou Michel Temer e disse que ele, como presidente nacional do PMDB, tem culpa nesse ambiente de divisão da bancada.

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