Para Ministério Público, garçom não falou a verdade

O Ministério Público Estadual de Campinas insistiu nesta quarta-feira que o depoimento do garçom conhecido como Jack não encontra amparo em fatos reais. "Em cada versão que apresenta para a história, ele troca os protagonistas", defendeu o promotor Fernando Viana. Amanhã, mais três testemunhas, uma da acusação e duas da defesa, serão ouvidas em Campinas no processo sobre a morte do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT.Segundo Viana, Jack foi conduzido ao Ministério Público para depor por advogados do escritório de Márcio Thomaz Bastos, que já havia assumido o cargo de ministro. "Na época, o garçom deu um depoimento informal aos advogados e outro ao Ministério Público", afirmou o promotor.Com base em uma gravação de seu depoimento no escritório de advocacia, Jack foi chamado para depor em juízo, conforme Viana. "Ele apresentou contradições sérias, uma versão diferente em cada ocasião. Personagens relatados à CPI dos Bingos são novidade para nós", garantiu.O promotor explicou que o Ministério Público pretende acusar o garçom de falso testemunho, mas somente depois do julgamento do caso Toninho. "Até o final do processo ele ainda tem a possibilidade de falar a verdade", esclareceu.Novas testemunhasQuase cinco anos depois do assassinato do prefeito, em setembro de 2001, três novas testemunhas serão ouvidas no processo que tem Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, como réu. Outros três acusados do crime, inclusive o autor do disparo, morreram em confrontos com policiais. Uma das testemunhas, apresentada pela acusação, teve sua casa, no bairro Taquaral, assaltada por volta das 21 horas, na mesma noite em que Toninho foi assassinado.A testemunha reconheceu Andinho como um dos assaltantes e reconheceu também o Vectra prata, abandonado próximo ao local onde o prefeito foi morto, que teria sido usado no assalto e que é identificado como carro da quadrilha, conforme Viana. O carro estava estacionado no pátio do 4º Distrito Policial no dia seguinte ao crime, quando a testemunha foi registrar a ocorrência do roubo, disse o promotor. De acordo com ele, o horário do assalto e do assassinato são compatíveis. Toninho foi morto quando deixava um shopping e seguia para casa, pouco depois das 22 horas.As outras duas testemunhas são da acusação. Uma delas poderá falar sobre a arma usada para matar o prefeito, não localizada pela polícia, que estaria apreendida no Fórum de Sumaré e pertenceria a outra quadrilha. "Vamos esperar para ver o que surge", comentou o promotor.

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