Para minar elos do PR no Ministério dos Transportes, governo demite mais seis

Dilma pede afastamento de integrantes da pasta e do Dnit, a maioria apadrinhada de Valdemar Costa Neto, secretário-geral da sigla, e do ex-ministro Alfredo Nascimento

Leandro Colon e Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - A prometida "faxina" no Ministério dos Transportes atingiu mais seis integrantes do governo. Foram demitidos na terça-feira, 19, quatro funcionários do ministério e dois do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A maioria é ligada ao núcleo que comanda o PR, partido que integra a coalizão da presidente Dilma Rousseff e que dirige a pasta. As demissões foram acertadas na segunda-feira pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, com a presidente diante da onda de denúncias de corrupção.

 

Já foram afastadas 13 pessoas dos cargos desde o início da crise no setor. O número sobe para 14 com a demissão de Eduardo Lopes, assessor indicado pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), confirmada na noite de terça pelo Ministério dos Transportes ao Estado.

 

O objetivo imediato do Palácio do Planalto com as demissões é minar um suposto esquema de desvios, montado ao longo de anos, que teria ligações próximas a dirigentes do PR.

 

As exonerações não devem parar. O Estado apurou que o ministro Paulo Passos prepara outro pacote de demissões para os próximos dias. Os alvos serão funcionários do Dnit de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. O Dnit do Rio também está na mira.

 

Até agora não foi anunciado o substituto do diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, que está em férias e será demitido quando retornar ao trabalho, no início de agosto. A presidente enfrenta dificuldades para encontrar nomes técnicos para preencher a equipe dos Transportes. Na quinta-feira, 21, Dilma terá nova reunião com Passos e espera-se que sejam anunciados os substitutos de parte dos auxiliares que caíram no rastro do escândalo.

 

Também são esperadas as demissões do diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, o petista Hideraldo Luiz Caron, e de mais assessores ligados ao PR no ministério, incluindo apadrinhados de Costa Neto e do ex-ministro Alfredo Nascimento.

 

Do ministério foram exonerados José Osmar Monte Rocha, Estevam Pedrosa, Darcy Michiles e Maria das Graças de Almeida. Caíram no Dnit Luiz Cláudio dos Santos Varejão, coordenador-geral de Operações Rodoviárias - subordinado a Caron -, e Mauro Sérgio Fatureto, coordenador de Administração-Geral.

 

Cirurgia. A escolha dos demitidos foi cirúrgica. A maioria é vinculada a Costa Neto e Nascimento, que voltou ao Senado. São pessoas que mantinham influência no ministério. Atuavam na parte burocrática e na execução dos projetos da pasta. Eram assessores considerados "olheiros" do PR dentro do governo.

 

Um episódio ocorrido na terça demonstra que a "faxina" determinada por Dilma ao ministro Paulo Passos é feita sem qualquer diálogo com os atingidos.

 

José Osmar Monte Rocha, por exemplo, foi pego de surpresa ao chegar ao trabalho. Não sabia que seria demitido. A decisão foi tomada pelo ministro na segunda-feira após o Estado procurar o ministério para tratar do teor de uma reportagem envolvendo o nome de Rocha.

 

Reportagem do Estado revelou o envolvimento de Monte Rocha na contratação de uma empresa de fachada, a Tech Mix, pelo Dnit por R$ 18,9 milhões em 2010. Apadrinhado de Valdemar, Rocha era um dos elos do esquema entre a pasta e o Dnit.

 

Já Darcy Michiles é ligado a Alfredo Nascimento. Filiado ao PR no Amazonas, foi deputado e era Secretário de Fomento para Ações dos Transportes. Maria das Graças Almeida trabalhava com ele na secretaria. Ambos foram exonerados "a pedido". O outro demitido, Estevam Pedrosa, era um dos principais assessores de Nascimento.

 

A crise nos Transportes começou há pouco mais de duas semanas, após reportagem da Veja revelar a existência de um esquema de corrupção na pasta. Logo em seguida, o governo anunciou o afastamento de Pagot da diretoria-geral do Dnit, do presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, do chefe de gabinete do ministério, Mauro Barbosa, e do assessor Luiz Tito. Alfredo Nascimento não resistiu à pressão e pediu demissão.

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