Para Mercadante, discurso de Índio é 'desqualificado'

Candidato classificou declarações de vice de Serra sobre ligação do PT com as Farc como 'lastimável'

Adriana Carranca, de O Estado de S.Paulo/ SÃO PAULO,

19 de julho de 2010 | 20h11

O candidato ao governo de São Paulo pelo PT, senador Aloizio Mercadante, disse considerar "lastimável" as acusações contra o seu partido feitas pelo candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB), deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ).

 

Para Mercadante, Índio da Costa não tem qualificação para ser vice-presidente do País. "É lamentável que a gente tenha líderes que pleiteiam assumir o País com esse discurso desqualificado. Não se trata de oposição. Marco Maciel, que concorreu a vice da oposição quando eu concorria a vice de Lula nunca se prestou a declarações eleitorais de agressividade e desqualificação. Ele se pautava pela defesa de convicções e ideias, que não eram minhas, mas colocadas no debate político de uma forma qualificada", disse o senador. Mercadante foi vice na chapa de Luis Inácio Lula da Silva nas eleições de 1994, quando concorreu contra Fernando Henrique Cardos e Marco Maciel.

 

"Acho que o Brasil precisa de pessoas assim, mesmo de outro partido, que tenham uma relação respeitosa no trato das questões políticas. Índio deveria aprender com eles", disse Mercadante, que citou ainda o vice José Alencar como um exemplo de figura política.

 

Mercadante falou a jornalistas após encontro com representantes de lan houses na capital. De olho no voto de parte dos 11,5 milhões de jovens do Estado, ele prometeu levar o acesso à Internet banda larga às escolas públicas de São Paulo e, ainda no início de um eventual governo, entregar um laptop para cada professor.

 

E aproveitou para criticar a qualidade da educação nas escolas estaduais durante a gestão tucana, com base nos resultados do Enem divulgados hoje. "A maior e mais perversa privatização em São Paulo foi a da qualidade de ensino. Todas as escolas particulares tiveram boa performance no Enem, enquanto as estaduais apresentaram os piores índices", disse. Segundo Mercadante, o PSDB "empurra a classe média para o ensino particular". Ele critica o partido da oposição por "insistir" na política de aprovação automática. "Isso faz com que os alunos deixem o ensino fundamental sem saber ler nem escrever. Escola que não exige, não ensina". Se eleito, Mercadante promete retomar os boletins e o sistema de recuperação dos alunos, pondo fim à progressão continuada.

 

O candidato quer ainda "discriminalizar" as lan houses e, no lugar disso, utilizar a infraestrutura já disponível nesses pontos comerciais para oferecer formação complementar, acesso à cultura e cursos a distância gratuitamente aos alunos do ensino público, por meio de parcerias com o Estado.

 

Mercadante defende escolas em tempo integral e, se eleito, disse que aplicaria a medida ao ensino médio no início da administração. Questionado sobre de onde sairiam os recursos, o candidato afirmou que aposta no crescimento econômico do Brasil, que tem elevado a arrecadação dos Estados, e em parcerias com o governo federal.

 

À noite, Mercadante inaugurou o comitê de campanha petista em um casarão de 450 m2, na Praça Panamericana. o imóvel, com aluguel estimado em R$ 25 mil, foi cedido pelo proprietário, o dentista Leo Tominaga, que mora em Osasco. Segundo ele, o imóvel seria reformado e ocupado somente em 2011, por isso ele decidiu emprestá-lo à campanha petista, coordenada pelo amigo e prefeito de Osasco, Emidio de Souza.

 

Entre os petistas que foram à inauguração do comitê, está o ex-presidente do PT, José Genuíno, que renunciou em 2005, por envolvimento em denúncias de corrupção relacionadas ao chamado mensalão.

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