Para Mentor, comissão deve boicotar relatório da CPI do Banestado

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado, deputado José Mentor (PT-SP), disse hoje que receia pela votação final do relatório que pode ser boicotada por membros da própria comissão descontentes com o resultado final das investigações. "Temo que o relatório não seja votado. Se isto acontecer, todo o trabalho feito até agora pela comissão estará perdido", disse Mentor.A votação final do relatório da CPI está prevista para a próxima terça-feira. Até domingo os outros membros da comissão vão sugerir modificações no texto apresentado hoje por Mentor. A comissão terá até a quarta-feira da próxima semana, dia 22, para aprovar o relatório final, já que a mesa diretora do Congresso definiu este prazo como o limite para a votação do Orçamento Geral da União, única matéria que mantém o parlamento obrigatoriamente em funcionamento. Se não aprovar o relatório até quarta-feira, o trabalho da comissão terá sido inútil.Uma conseqüência direta disto é que todo o banco de dados em poder da CPI não poderá ser enviado ao Ministério Público Federal para que os procuradores terminem as investigações iniciadas pela comissão do Congresso. Uma das decisões tomadas pelo deputado José Mentor é enviar ao ministério público a documentação que os assessores da CPI não tiveram tempo para analisar.DecepçãoDeputados e senadores do PFL e do PSDB criticaram hoje o relatório apresentado por Mentor. O deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) considerou o trabalho do relator apenas "um panfleto político partidário" e vai apresentar emendas para alterar o texto.O presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), disse que uma boa parte do relatório do deputado Mentor trata de assuntos que a comissão não estava apta. Uma delas é a aplicação de US$ 840 milhões das reservas brasileiras no BBV em Madri e a compra do banco Excel-Econômico pelo banco espanhol.O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que com tantos anos de parlamento esta é uma das maiores decepções. "Não vi quase ninguém importante indiciado ou apontado como responsável por evasão fiscal. É uma decepção", protestou Simon.

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