Para Mendes, juiz pode ter feito acusação ''leviana''

Presidente do STF reafirma ter pedido para apurar se ex-chefe de segurança era espião de Daniel Dantas

Moacir Assunção e Carolina Huhman, O Estadao de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse ontem que o juiz Fausto Martin De Sanctis pode ter incluído informação "leviana ou inconsistente" na setença em que condenou o banqueiro Daniel Dantas.Na sentença, De Sanctis insinou que o coronel da reserva do Exército Sérgio de Souza Cirillo pode ter atuado como espião de Dantas nas dependências do STF, onde foi chefe da segurança.Mendes reafirmou ontem em São Paulo que pediu à Procuradoria-Geral da República que investigue se o coronel atuou para favorecer o banqueiro. "Eu pedi à Procuradoria que faça as devidas investigações e se verifique se essa informação eventualmente é leviana ou inconsistente", afirmou o ministro. Especialista em operações de inteligência, Cirillo trabalhou, ainda, no centro de guerra eletrônica do Exército. Mendes recebeu o prêmio Franz de Castro de Direitos Humanos, concedido pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)."Ele (De Sanctis) afirma que esse coronel teria sido cooptado por forças da corrupção", comentou o presidente do STF, recusando-se a falar o nome do juiz, seu desafeto desde a Operação Satiagraha, em julho.Na ocasião, De Sanctis mandou prender duas vezes o banqueiro, sócio-fundador do Banco Opportunity, e Mendes determinou sua libertação, por habeas corpus, também duas vezes. Na sentença, o juiz cita uma série de nove telefonemas feitos por Hugo Chicaroni - citado como intermediário de Dantas em uma proposta de suborno de um delegado da Polícia Federal - para Cirillo.Na representação enviada ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, na semana passada, o presidente do STF sugere que os réus tentam macular a imagem do tribunal. "É importante que se esclareça não só a conexão entre os contatos mantidos pelo servidor e um dos acusados no processo em tela e a posterior contratação do assessor pelo Supremo, mas também eventuais tentativas dos réus de envolver infundadamente o nome da corte em atos ilícitos."Cirillo e o então chefe da segurança do STF, o também coronel Joaquim Alonso Gonçalves, que o indicou, foram demitidos em outubro passado.A reportagem buscou contato com a Procuradoria-Geral da República e com a assessoria do juiz De Sanctis, mas não houve resposta aos telefonemas.REFERÊNCIASDurante o discurso de agradecimento ao prêmio, Mendes fez novas críticas veladas ao juiz De Sanctis."O STF não é importante pelo que faz ou pelo que manda fazer, mas pelo que evita que se faça. Para que se sabia que não se pode fazer interceptações telefônicas em determinadas condições, para que um juz saiba que não pode deferir determinada medida porque será cassada pelo STF", afirmou. "O habeas corpus é tão importante quanto o ar que respiramos", concluiu.

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