André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Para Meirelles, protestos de domingo foram 'substanciais', mas não alteram condução do ajuste

Ministro da Fazenda avalia que manifestações são feitas por parcela minoritária da população e ajudam a 'legitimar' o processo de impeachment 'frente ao mundo'

Cláudia Trevisan e Fernando Nakagawa, enviados especiais, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2016 | 08h06

Hangzhou, China - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira, 5, que o número de pessoas que protestaram contra o governo Michel Temer no domingo, 4, é “substancial”, mas representa uma parcela minoritária da população. “Já tivemos manifestações muito maiores, já tivemos manifestação de 1 milhão de pessoas”, declarou em entrevista na China, onde participou de reunião do G20.

Segundo ele, é “normal” que aqueles que se opuseram ao processo de impeachment se expressem. “Não vejo isso como nenhum tipo de problema. Muito pelo contrário, acho que isso é parte da democracia, parte do debate livre do País, exatamente o que garante, legitima ainda mais o fato de que o processo é democrático, constitucional.” Em sua opinião, a existência de uma “discussão aberta” sobre o processo de impeachment ajuda a legitimá-lo “frente ao mundo”.

Organizadores estimaram que 100 mil pessoas participaram do protesto realizado na Avenida Paulista no domingo. A PM não divulgou estimativa de público. 

Como em dias anteriores, a maior parte da manifestação foi pacífica. À noite, no entanto, o ato foi dispersadopela Polícia Militar com o uso de bombas e jatos de água após um princípio de tumulto. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, uma confusão "se transformou em depredação". 

Em entrevista concedida no sábado, 3, na China, Temer afirmou que os protestos contra seu governo eram “inexpressivos” e realizados por “grupos mínimos”. Criticando atos de violência, ele se referiu a manifestantes com uma pergunta: “As 40 pessoas que quebram carro?”. No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também menosprezou os protestos e disse que eles eram “mini mini mini mini mini mini”.

Meirelles sustentou que os protestos não vão atrapalhar a votação da proposta de emenda constitucional que estabelece um teto para o crescimento de gastos nem das propostas de reformas previdenciária e trabalhista, medidas consideradas impopulares. Segundo ele, o ajuste fiscal será “fundamental” para o processo de recuperação econômica, o que sensibilizará os parlamentares.

Iintegrantes do Congresso, no entanto, que também são sensíveis às urnas, pressionam o governo a adiar o envio do projeto de reforma da Previdência para depois das eleições municipais de outubro. A intenção inicial do governo era mandar o texto ao Legislativo até o fim do mês. O ministro da Fazenda evitou falar em prazos e afirmou que o projeto será encaminhado quando estiver pronto. “É uma coisa que terá efeito por décadas”, disse Meirelles, ressaltando que “um ou dois meses” não farão grande diferença.

 

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