Para Meirelles, principais decisões são tomadas na política

Em discurso de filiação ao PMDB, presidente do BC afirma que tirará licença para decidir carreira política

Célia Froufe, da Agência Estado,

30 de setembro de 2009 | 17h38

Em discurso feito pouco antes de formalizar sua filiação ao PMDB nesta quarta-feira, 30, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ressaltou a importância da atuação política no Brasil. "No âmbito político é que são tomadas as verdadeiras decisões do País", disse ele. Mas Meirelles afirmou que só passará a pensar em assuntos relacionados ao tema em março do ano que vem, quando pretende tirar 15 dias de licença para decidir se concorre ou não a um cargo eletivo.

 

O discurso improvisado durou exatos 10 minutos e foi feito em clima de comício, em uma espécie de palanque, colocado na garagem de uma casa, que serve como diretório do Partido em Goiás. Meirelles tratou da fundação do PMDB, da criação de empregos no País e de decisões econômicas. "O que fez fundar o PMDB foi a visão de homens e mulheres que se organizaram de forma política", disse. "Não se trata de um partido de um projeto, mas de um grupo, de milhões de pessoas que acreditam num projeto e esse é exatamente num exemplo de democracia", afirmou.

 

Apesar dos planos de adentrar no campo da política, Henrique Meirelles garantiu que pretende continuar em sua atual função."Minha chegada é para somar. Não tenho projetos pessoais. Meu projeto é continuar no Banco Central", disse.

 

Em seguida, Meirelles comentou sobre a passagem do Brasil pela crise e destacou a geração de empregos no País nos últimos anos, em especial, no mês de agosto, quando, segundo ele, foram geradas 242 mil novas vagas. "Isso mostra a capacidade do País de crescer", argumentou. Para ele, no entanto, a reação do mercado de trabalho, mesmo após uma forte turbulência econômica internacional, não é resultado de "magia". "É, sim, resultado de decisões de coragem", disse, arrancando palmas e assobios dos poucos populares que conseguiram entrar na garagem da sede do PMDB, totalmente tomada pela imprensa, assessores e políticos locais.

 

Escolha pelo PMDB

 

Ao justificar a sua filiação ao PMDB, apesar de já ter integrado o PSDB, Henrique Meirelles disse que a mudança partidária sempre fez parte da dinâmica pública. Ele lembrou que membros do PMDB já foram para o PSDB e vice-versa."Minha candidatura a deputado federal (pelo PSDB) foi adequada, e não só pela votação importante", disse, Meirelles, referindo-se ao pleito que o elegeu como deputado com número recorde de votos pelo Estado de Goiás. Ele lembrou que essa vitória o possibilitou a aceitar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o Banco Central. "Essa foi uma decisão de colaborar com o Brasil e, consequentemente, com Goiás", ressaltou.

  

Agenda

 

O presidente do BC comentou que de Goiânia, partirá para Brasília e, de lá, para Copenhague. Nos próximos dias também estão previstas outras viagens internacionais, como para Nova York, Londres e Basileia. "Hoje foi um dia muito intenso, gratificante", disse, ao lado de sua esposa, Eva. "Mas, em algumas horas, estarei focado em outro mundo", continuou.

 

Ao sair do diretório do PMDB até o ônibus que o levaria para a casa, além de muitos fogos de artifício, também pôde ser ouvido o Tema da Vitória, trilha sonora que marcou, principalmente, as vitórias do corredor de fórmula 1, Ayrton Senna.

 

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