Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

Para Marina Silva, palavra 'golpe' está sendo banalizada

A ex-senadora, que defende a tese de novas eleições presidenciais, afirma que 'ditadura, essa sim, golpeou a democracia'

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2016 | 15h00

RIO - A ex-senadora Marina Silva (Rede), candidata derrotada na última eleição presidencial, voltou a defender, nesta sexta-feira, 29, a convocação de novas eleições e negou que seja motivada por interesse pessoal ao fazê-lo. Ela também criticou a posição do governo e da base aliada de classificar como golpe uma eventual saída da presidente Dilma Rousseff.

"Está havendo uma banalização da palavra 'golpe'. Daqui a pouco, a criança pega a bala da outra no recreio e se usa a palavra golpe. A ditadura, essa, sim, golpeou a nossa democracia. Nova eleição não tem nada a ver com golpe."

Marina também afirmou que a defesa pela realização de novas eleições não tem relação com uma possível participação dela no processo eleitoral. "Só uma nova eleição poderá estabilizar o País, dar credibilidade e legitimidade para uma agenda de transição. A minha posição é de insistir numa nova eleição pelo caminho do processo no Tribunal Superior Eleitoral. O impeachment alcança a legalidade, mas não a finalidade", afirmou Marina, no Rio, sem dizer se sairia novamente candidata. "Ninguém pode falar em candidatura antes de devolver aos cidadãos a possibilidade de votar. Quando comecei a defender a tese, sequer podia me candidatar. Defendo por convicção".

Marina voltou a defender não apenas a saída de Dilma, mas também a impossibilidade de o vice-presidente Michel Temer assumir o cargo diante de um eventual impeachment da presidente. A ex-senadora defende a impugnação da chapa Dilma-Temer e não poupou críticas ao vice. "Eu nunca vi o vice-presidente Michel Temer fazer uma crítica à presidente Dilma. Eu convivi com o vice-presidente José Alencar e ele criticava (o presidente Lula)", afirmou.

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