EFE
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Para Marina Silva, carta de Temer oficializa ruptura com Dilma

Para a ex-senadora, o documento também atesta a responsabilidade do vice-presidente nas "pedaladas fiscais", razão alegada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para abrir o processo de impeachment contra a presidente

Andrei Neto, correspondente e Giovana Girardi, enviada especial, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2015 | 16h56

Paris - A ex-senadora Marina Silva (Rede) afirmou nesta terça-feira, 8, em Paris, que a carta enviada pelo vice-presidente, Michel Temer, à presidente Dilma Rousseff "oficializa" a ruptura entre os dois líderes e os dois partidos, PT e PMDB, o que, segundo ela, "na prática já ocorreu". A análise foi feita em Paris, às margens da 21ª Conferência do Clima (COP21) das Nações Unidas, da qual ela foi uma das palestrantes. Para a ex-candidata e ex-ministra, o vice-presidente também é responsável pelas pedaladas fiscais.

As declarações de Marina Silva foram as primeiras que concedeu desde o vazamento do teor da carta enviada na segunda-feira ao Palácio do Planalto. Questionada pelo Estado se o documento aprofundava as "divergências" entre Dilma e Temer, a ex-senadora afirmou: "Divergência é um termo que você usa com muita brandura. Eu considero isso uma ruptura". "Só que não é uma ruptura que se oficializa, porque na prática ela vem e muito tempo, pelo visto. Está narrada na carta do próprio vice-presidente. Ele apenas oficializou aquilo que nós ainda não tínhamos como uma informação oficial", afirmou Marina Silva.

Para a ex-senadora, o documento também atesta a responsabilidade do vice-presidente nas "pedaladas fiscais", razão alegada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, para abrir o processo de impeachment contra a presidente. "Em relação às pedaladas, o vice-presidente está dizendo que assinou documentos que também são pedaladas", argumentou, atribuindo a Temer a co-responsabilidade pelas crises política e econômica. "Em relação à crise econômica, ele também é parte. O partido dele também está envolvido na Lava Jato", lembrou. 

De acordo com Marina Silva, o Brasil está vivendo um momento de "ansiedade tóxica". "Nós temos de parar com essa ansiedade tóxica de querer repetir a história. Tem muita gente querendo repetir a história", disse ela, referindo-se ao impeachment. A ex-senadora reforçou que prefere o processo de análise do pedido de cassação do mandato da chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014, em curso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao processo de impeachment aberto na Câmara.

"Há um processo no TSE que levanta a hipótese de que o dinheiro do Petrolão tenha sido usado para irrigar a campanha da presidente e do vice-presidente. Ambos são faces da mesma moeda", disparou. "Não podemos esquecer que nesse momento o PT e o PMDB, ambos estão implicados. Ambos produziram a crise política, ambos produziram a crise econômica e estão implicados porque, se temos no PT o tesoureiro Vacari e o líder do governo (senador Delcídio Amaral) presos, o presidente Renan (Calheiros) e o presidente (Eduardo) Cunha do PMDB estão igualmente implicados."

Segundo Marina Silva, embora o impeachment "não seja golpe", ele abriria a porta para uma saída casuística, com a chegada ao poder de Michel Temer, a quem definiu como "passe partout". A sociedade brasileira não pode deixar que se coloque um passe partout colorido nessa crise terrível em preto e branco e se ache que o problema está resolvido", avaliou. "Não vale a pena pagar o preço para botar apenas um passe-par-tout colorido." 

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