Para Marina, PT e PSDB são vítimas de fisiologismo

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, disse hoje que o PT é vitima do fisiologismo do PMDB e que o PSDB tem o mesmo problema com o DEM. Marina afirmou que essas legendas têm de "conversar mais" e pensar no Brasil, não em composições. Quanto à sua candidatura, destacou que procurou fazer uma aliança modesta, mas programática e coerente, com a qual pretende chegar ao Palácio do Planalto. "Não estamos com as alianças tradicionais, aqueles velhos cacique políticos, que quando sobem no palanque, já somam 500 anos de política velha; pessoas que, se a gente for ver os seus discursos de cinco ou dez anos atrás, era inimaginável que um dia estivessem juntos", disse, ao desembarcar em Bauru, no interior de São Paulo.

JAIR ACEITUNO, Agência Estado

29 Julho 2010 | 17h13

A candidata afirmou que pretende chegar ao governo como uma opção do povo, a exemplo de quando se elegeu para o Senado, no Acre. Na época, segundo disse, ela concorreu tendo apenas 3% nas pesquisas e uma perua da marca Brasília, contra dois fortes adversários que pontuavam alto e tinham jornal, rádio e televisão "para falar bem deles e mal de mim". Disse que tanto naquela época quanto agora, as grandes coligações "colocaram o eleitor no anonimato", ao decidirem quem seria o candidato de oposição e o de situação. "Alguns nem querem ir a debates e só esperam o voto do povo no dia 3 de outubro", criticou.

Numa entrevista para a TV local, Marina falou da questão dos gays. Afirmou que, por convicção espiritual, entende que casamento é um sacramento para homem e mulher e, assim, é contrária ao casamento homossexual, mas defende o direito à herança e ao plano de saúde compartilhado, e os respeita como a qualquer ser cidadão ou humano. "Eu sempre vou dizer com toda transparência quais são as minhas posições. Acho que é um desrespeito à comunidade gay aqueles que, num fórum com eles, levantam suas bandeiras, dizem que são favoráveis e, num outro fórum, com religiosos, mudam de posição, dizendo que agora são contra" - concluiu, lembrando que sempre fez campanhas para candidatos que apoiam a causa dos gays, como Marta Suplicy em São Paulo e Fernando Gabeira, no Rio.

Marina teve reuniões com pastores evangélicos de toda a região, percorreu veículos de comunicação de Bauru, visitou o Hospital de Recuperação de Lesões Lábio Palatais da Universidade de São Paulo (USP), também conhecido como Centrinho, e inaugurou a Casa de Marina. Ela esteve acompanhada pelos candidatos a vice-governador de São Paulo, Rogério Menezes, e ao Senado, Ricardo Young. Em todas as entrevistas, a candidata poupou o presidente Lula e, numa delas, encerrou dizendo que "agora que o povo perdeu o medo de votar em ''Silva'', pode continuar votando em ''Silva'', mas em Marina".

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