Para Marina, medidas de Mantega são tardias

Candidata do PV diz que já exigia pronunciamento do ministro 'há um mês'

Eduardo Kattah. de O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2010 | 17h06

BELO HORIZONTE - A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, afirmou nesta quarta, 15,que os novos procedimentos apresentados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para aumentar a segurança dos dados sigilosos dos contribuintes fazem parte de uma proposta apresentada originalmente por ela. "Fiquei quase um mês pedindo para o ministro se pronunciar (...) Ontem ele se pronunciou e eu fiquei feliz. Eu vi que ele não pronunciava porque não tinha proposta", disse Marina, durante encontro com empresários na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).

 

Mantega anunciou a criação de uma lista com nomes de "pessoas politicamente expostas", cujos dados serão mais protegidos e um sistema de alerta para acessos não usuais. O anúncio foi feito após a quebra de dados fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira e de pessoas ligadas ao candidato tucano à Presidência, José Serra.

 

A presidenciável do PV avaliou que as medidas estão sendo tomadas tardiamente. "Já deveriam ter sido tomadas há muito tempo. E a investigação deve continuar com isenção e todo rigor para a punição dos culpados", ressaltou.

 

Marina disse que ficou "estarrecida" quando o episódio foi apontado como corriqueiro pelo ministro. "Disse que se deveria criar um sistema semelhante ao que acontece com a conta bancária o cartão de crédito, aonde se você tem qualquer entrada na sua conta bancária você é notificado, você sabe aonde, quando e por que. A mesma coisa deve ser para a Receita. Não deve ser tratado como banal. Eu fiquei estarrecida quando vi que isso era banal, sugeri uma proposta, que me parece que foi encaminhada."

 

Retrocesso. Sempre reiterando que não pretende entrar no que chama de "vale-tudo" da disputa entre Dilma Rousseff (PT) e Serra, a candidata do PV defendeu o funcionamento neutro das instituições durante o período eleitoral. "É preciso preservar a equidade na política a partir das instituições."

 

Ela evitou comentar a ofensiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para blindar Dilma das denúncias de tráfico de influência que atingem a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, bem como a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que acusou Lula de agir como "chefe de facção" durante a campanha eleitoral. Para Marina, após os avanços na área econômica e social durante os governos FHC e Lula, o País não pode viver um "retrocesso" na política.

 

Segundo Marina, a função de qualquer agente público é viabilizar as políticas públicas. "E, ao mesmo tempo, o funcionamento de forma neutra das instituições. Preservar o direito de expressão dos diferentes segmentos da sociedade", destacou, ao ser questionada sobre a fala de Fernando Henrique. "Posso discordar radicalmente desse ou daquele partido, dessa ou daquela pessoa, mas vou defender com firmeza sempre que ele tenha o direito de se manifestar e de se organizar."

 

Mais uma vez, a candidata do PV disse que a ocorrência de um segundo turno - ao invés de uma "decisão açodada" em primeiro turno - na eleição presidencial seria benéfico para a sociedade. "Precisamos fazer uma discussão sobre o Brasil que nós queremos. Um País que assegure direitos, o direito inclusive a um funcionamento neutro das instituições durante o período eleitoral. A função dos governantes é de assegurar políticas públicas, mas também o bom funcionamento das instituições", insistiu.

 

No encontro com empresários, Marina prometeu limitar o crescimento do gasto público à metade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

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