Para Marina, Lula foi 'omisso' em relação à repressão em Cuba

Pré-candidata do PV disse que cerceamento a liberdades criam constrangimentos a aliados do regime cubano

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo,

26 de fevereiro de 2010 | 13h05

Em visita a Fidel, Lula ficou irritado ao ter de comentar morte de dissidente cubano

 

RIO - A senadora e presidenciável do Partido Verde, Marina Silva, criticou nesta sexta-feira, 26, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por "omissão e silêncio" em relação à repressão de Cuba aos adversários do regime. "A liberdade, os direitos humanos, a liberdade de expressão temos que defender como um princípio, um valor. No caso de Cuba, essas liberdades estão sendo cerceadas. Começam a criar constrangimento inclusive para aliados de Cuba", disse, em entrevista à rádio CBN do Rio de Janeiro.

 

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A senadora também criticou a posição do Brasil em relação ao Irã: "O Brasil é o país ocidental que destoa dos demais. O princípio da ingerência não significa que não tenhamos postura cuidadosa em relação ao que todos começam a ver como um risco", disse.

 

Questionada sobre legalização do aborto, descriminalização das drogas e união estável de homossexuais a pré-candidata do PV à Presidência da República preferiu não expor posições fechadas. Marina defendeu plebiscitos para discutir aborto e drogas. "No lugar de um grupo contra e outro a favor, temos que promover o grande debate", afirmou a senadora.

 

Em relação à união homossexual, Marina, fiel da Assembleia de Deus, disse que tem uma posição pessoal "à luz da fé", mas que não influenciaria em nada a ação de governo. As igrejas em geral são contrárias à oficialização da união de pessoas do mesmo sexo. "Minha posição pessoal não se coloca relevante para o Estado, para políticas públicas. Minha posição pessoal é à luz da minha fé, não tenho como pensar diferente. Em relação a discriminar qualquer pessoa, o Estado não vai fazer isso de forma alguma", afirmou a senadora.

 

Novas alianças

 

Na entrevista, Marina apontou avanços tanto nos governo do PSDB do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto do PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, partido em que a senadora militou por mais de 30 anos.

 

Ela pregou, no entanto, uma nova forma de aliança em que os governantes não fiquem "reféns" dos aliados. "Por não conversarem, PT e PSDB, cada um ficou refém das maiorias. O presidente Fernando Henrique ficou refém do DEM (antigo PFL) e o Lula, refém do PMDB. O momento é de ter maturidade política", disse a senadora.

 

Sem aliança formal com outros partidos em nível nacional, Marina disse que vai se aliar "com núcleos vivos da sociedade", como jovens, trabalhadores, cientistas. A senadora confirmou que, no Rio, o PV lançará o deputado Fernando Gabeira candidato a governador em aliança com o PSDB, o DEM e o PPS. Gabeira fará campanha para a senadora e os demais partidos, para o tucano José Serra.

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