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Para Marina, equipe econômica tenta governar enquanto Temer tem de se explicar na crise política

'É equipe econômica competente dentro de um governo politicamente insolvente', disse a ex-ministra em entrevista ao programa 'Roda Viva', da TV Cultura

Ana Fernandes, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2016 | 00h10

A ex-ministra Marina Silva (Rede Sustentabilidade) afirmou, na noite desta segunda-feira, 20, que o governo interino convive com uma contradição do lado econômico e político. "Parece que a gente tem uma equipe econômica tentando governar e o presidente Temer tentando se explicar na grave crise política que estamos vivendo", disse Marina ao participar do programa Roda Viva, da TV Cultura. "É equipe econômica competente dentro de um governo politicamente insolvente."

Marina destacou que três ministros do governo Michel Temer caíram por envolvimento na Operação Lava Jato. Para a ex-ministra, derrotada na disputa presidencial em 2014, o governo do peemedebista sofre dificuldades em função da "natureza do próprio governos". Ela destacou que PT e PMDB governaram juntos por 13 anos. "Nesses 13 anos nunca vi o PMDB fazendo críticas à economia."

Marina elogiou a proposta do governo interino de limitar as despesas do Estado, mas criticou o fato de ter se passado de um déficit da ordem de R$ 90 bilhões para um déficit previsto para 2016 de R$ 170 bilhões. "É um aumento de gastos, empurrado para o próximo governo."

Na opinião da ex-ministra, a reforma da Previdência é uma "necessidade histórica" no Brasil e que a questão não pode ser legada como o grande problema que se torna para as próximas gerações. No entanto, ela argumenta que é um assunto complexo para ser tratado por um governo interino.

Segundo Marina, uma reforma como essa normalmente seria proposta por um governo eleito nas urnas, com popularidade, credibilidade e legitimidade, o que, ao ver dela, não é o caso do governo Temer. "Neste momento, nada disso está sendo colocado", afirmou e defendeu que haja um "ajuste País" antes do ajuste fiscal.

"O Brasil não precisa de um plano de fuga, mas de um plano de voo traçado pelos brasileiros. Os atalhos nos levam a mais abismos", afirmou.

Impeachment. Para a ex-ministra, há materialidade legal para o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas que o afastamento da petista por essa via não é a solução para a crise política do País e, por isso, defende a cassação da chapa Dilma/Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a realização de novas eleições. "O impeachment alcança a legalidade, mas não alcança a finalidade", afirmou ao alegar que a Rede já previa desde o início do processo que o impeachment não seria o fim da crise, pois PT e PMDB praticaram irregularidades juntos.

Marina voltou a criticar a discussão em torno de nomes para a Presidência da República, inclusive o dela, em vez de se discutir o País. "Ninguém pode se colocar na fila de candidatos enquanto não se devolver o voto ao povo brasileiro", afirmou. "O que não falta é candidato, falta é projeto de País", completou.

Questionada se pretende voltar a se candidatar à Presidência da República novamente, Marina repetiu o que já disse em entrevistas recentes: "Não sei se serei candidata. Já dei minha contribuição para o debate da sustentabilidade, sobre um realinhamento político. Quero continuar contribuindo, mas não se contribui apenas sendo candidata".

Citação. Sobre a notícia envolvendo seu nome em delação do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, Marina afirmou que estava enganado quem, com vazamentos, esperava tirar dela críticas contra a Lava Jato. "Quem esperava arrancar de mim qualquer palavra contra a Lava Jato está redondamente enganado. Mais do que nunca, é fundamental o trabalho da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal", afirmou.

Marina defendeu seu vice na chapa de 2010 pelo PV, o empresário Guilherme Leal, argumentando que ele não fez qualquer pedido de caixa 2 para a campanha. "Tenho certeza que o Guilherme jamais faria uma abordagem dessa natureza", disse ao afirmar que a denúncia, ainda não confirmada pela divulgação oficial da delação, seria uma "grande injustiça" com sua campanha em 2010. Ela disse que vai provar essa retidão com a prática política e não com discursos.

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