Para Mares Guia, reina a tranqüilidade na base do governo

O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia (PTB-MG), afirmou que a reforma ministerial está definitivamente concluída e elogiou o que chamou de "tranqüilidade" conquistada pelo presidente Lula, na composição do Executivo. "O presidente organizou bem o conjunto dos ministérios, com a inclusão à base do governo do PDT (que ficou com a pasta do Trabalho).A partir da segunda-feira, 01, na primeira reunião entre todos os ministros, os trabalhos serão iniciados com absoluta tranqüilidade", avaliou, em entrevista ao Jornal das Dez, da Globo News.ArticulaçãoQuestionado sobre como coordenar e satisfazer as exigências dos 11 partidos que compõem a base governista no Congresso, o ministro disse confiar no seu trabalho como articulador e na manutenção da união de todas as legendas para aprovar as reformas encaminhadas pelo governo. "Manteremos reuniões periódicas com todos os presidentes e líderes dos partidos e os governadores também serão constantemente convidados a participar dos debates", anunciou, entre outras medidas para atingir os objetivos.Setor aéreoMares Guia relatou a sucessão de eventos que culminaram na atual situação de crise vivida pela aviação civil brasileira, desde a quebra da Varig (que, segundo relatou, retirou seis milhões de assentos do mercado em 2006, em relação a 2005), até as recentes panes dos sistemas de controle do tráfego aéreo. Em seguida, afirmou que o governo já sabe o que cobrar de cada uma das entidades responsáveis pelo bom funcionamento do setor. "A Aeronáutica, a Infraero e a Anac Agência Nacional de Aviação Civil têm suas devidas responsabilidades e problemas a resolver e vamos cobrar delas medidas urgentes para a solução deles."PT e poderO ministro disse acreditar que o PT, partido do presidente Lula que cobrava deste mais poder na composição ministerial, vai cumprir corretamente seu papel como partido da base governamental. "Vamos trabalhar de maneira clara, com negociações permanentes e reuniões constantes do conselho político formado pelos presidentes e líderes de todos os partidos da base e, além disso, o PT amadureceu desde que chegou ao poder e hoje entende que é preciso atender aos interesses da população e não aos partidários", disse.PACMares Guia vê sinais positivos da oposição em relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e disse esperar que, ainda esta semana, haja avanços no sentido de votar a liberação do primeiro projeto de lei do programa, que aumenta os investimentos dos chamados PPIs (Projetos Pilotos de Investimentos) em cerca de R$ 11 bilhões, sem contingenciamento. "Conversei com os presidentes dos dois partidos (PSDB e PFL) e, se tudo correr bem, deveremos ter uma reunião sobre o tema nos próximos dias."Revisão da política monetáriaPaulo Veiga, diretor da Mercatto Gestão de Recursos, falou ao Conta Corrente, da Globo News, sobre a expectativa dos investidores acerca do PIB brasileiro de 2006, revisado pelo IBGE, que deve ser divulgado nesta quarta-feira, 28. O especialista afirmou que os novos números mostrarão que o crescimento do País foi maior do que se imaginava e com investimentos menores do que os calculados até aqui."Isso trará impactos profundos em todos os estudos conduzidos pelo Banco Central que apóiam as decisões sobre manutenção ou cortes das taxas de juros", disse Veiga. As conclusões do IBGE, segundo o administrador de empresas e profissional de investimentos, terão de ser "vistas, revistas e relidas, para depois serem oferecidas ao mercado como justificativa de decisões futuras."JurosPara Veiga, o Copom não deverá cortar a taxa Selic com mais intensidade, a partir da divulgação do PIB brasileiro revisado. "Seria admitir que tudo o se fez até agora estava errado e esse não é o caso." Para ele, o trabalho maior e mais difícil foi feito: domar a inflação e colocá-la abaixo da meta. "Não acredito também que o BC vai deixar de cortar os juros, a inflação está muito bem controlada."CorrupçãoAo comentar uma pesquisa da FGV/RJ divulgada na terça-feira, 27, e que apontou a carga tributária e a corrupção como as principais barreiras ao crescimento econômico, na opinião dos brasileiros, o especialista indicou que a percepção do consumidor vem se apurando, ao constatar que a ineficiência do Estado e a desonestidade, de maneira geral, afetam diretamente as relações econômicas e o desenvolvimento, com implicações em áreas como segurança, justiça etc.Obstáculos ao crescimentoOs economistas Edgar Pereira, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), e Reynaldo Passanezi, da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet), comentaram a revisão do PIB brasileiro, feita pelo IBGE e que deve ser divulgada nesta quarta-feira, 28.Em entrevista ao programa Opinião Nacional, da TV Cultura, ambos afirmaram que, apesar de os números provavelmente revelarem um crescimento de até 3,7% da economia brasileira em 2006 (contra 2,9% pela metodologia antiga), o País ainda tem uma série de entraves para crescer adequadamente."O tamanho do Estado, a elevada carga tributária e os gastos públicos crescentes são problemas para os quais ainda não vemos soluções efetivas", disse Passanezi."Apesar de podermos comemorar um crescimento maior do que o anteriormente divulgado, a verdade é que a vida cotidiana do brasileiro não mudou e ainda lutamos com dificuldades contra a ameaça de desemprego e a manutenção da atividade industrial brasileira", completou Pereira.Importações e jurosPara os economistas, o aumento das importações e a valorização "exagerada" do real em relação ao dólar foram decisivos para a relativa queda da participação da indústria na composição do crescimento do PIB nacional em 2006, que perdeu em importância para o setor de serviços, segundo o IBGE. Ambos ressaltam, porém, que a situação pode se tornar preocupante."Estamos importando produtos que roubam vagas de setores altamente empregadores, como o têxtil, o de calçados etc., e ao mesmo tempo o baixo valor do dólar inibe fortemente nossas atividades exportadoras, o que pode ter reflexos bastante negativos em um futuro próximo", avaliou Pereira."Seria importante rever a política cambial como forma de garantir que as indústrias brasileiras mantenham seu potencial de crescimento", acrescentou Passanezi.Outros destaques dos telejornaisO Jornal das Dez, da Globo News, e o Jornal da Globo destacaram que o presidente Lula mostrou irritação com a atual situação dos aeroportos e vai exigir dos devidos órgãos solução definitiva para a crise do setor aéreo.No Conta Corrente, da Globo News, a manchete principal foi a apreensão com o mercado imobiliário norte-americano e as implicações sobre a confiança dos consumidores e as bolsas de valores dos EUA, que ontem fecharam em baixa.

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