Para Mares Guia, rebelião do PMDB ''''foi uma rasteira''''

Ministro diz que governo deve ter ignorado algum sinal do Congresso, mas evita atribuir derrota a Renan

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

Vinte e quatro horas depois da rebelião da bancada do PMDB no Senado, que impôs uma derrota ao governo na noite de quarta-feira, ao derrubar a criação da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo e de 660 cargos de confiança, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, não escondeu a surpresa. "Foi uma rasteira", afirmou ele ao Estado. "Não queremos transformar essa situação num conflito insuperável, mas deve ter havido algum sinal, algum descontentamento que nós não percebemos."   Veja o especial do caso Renan Articulador político do governo, Mares Guia foi chamado logo cedo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma reunião, no Palácio do Planalto. Ainda ontem à noite, Lula foi informado de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), insuflou a rebelião para mostrar força - irritado com o governo e parlamentares do PT, que agora cobram que ele se licencie do cargo. O presidente tinha, porém, uma preocupação mais imediata: o que fazer para recriar a secretaria extinta, comandada pelo filósofo Mangabeira Unger, além dos cargos comissionados.Ninguém soube dar a resposta, mas Lula encomendou à sua assessoria estudos jurídicos para resolver o imbróglio criado pelo maior partido da base aliada. Em público, o presidente tentou minimizar a crise, repetindo como mantra que "a derrota faz parte do jogo". Nos bastidores, porém, afirmou que não conseguia entender a revolta do PMDB. Pior: teme pelo destino que terá a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que ainda precisa passar por mais uma votação na Câmara e duas no Senado.Coube ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), a difícil tarefa de explicar ao presidente os meandros de seu partido, insatisfeito com a distribuição de cargos pelo Planalto. "Vamos ajustar qualquer curto-circuito antes da nova votação da CPMF", disse Jucá. "Foi uma reação radical e nós entendemos que o governo esperava mais lealdade da base aliada."?SURPRESA EXTREMA?Depois do tête-à-tête com Lula, Mares Guia promoveu uma reunião em seu gabinete com Jucá, a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Congresso, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e os ministros peemedebistas Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e Hélio Costa (Comunicações). "Recebemos a informação sobre a derrubada da medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo com uma surpresa extrema", afirmou Mares Guia.O ministro não quis, porém, provocar Renan. Indagado se sabia os motivos pelos quais o senador havia mandado um recado ao Planalto, Mares Guia desconversou. "Eu não posso, não devo e não tenho razão para interpretar o que ocorreu dessa forma", disse. "Seria o melhor momento para o Senado votar - justamente na hora em que a Câmara deu demonstração de força extraordinária, aprovando em primeiro turno a CPMF."Menos diplomático, Geddel deixou o Planalto visivelmente irritado. Não sem motivo: dos 660 cargos de confiança que evaporaram após a rebelião do PMDB, 140 eram da Sudam e da Sudene, superintendências ligadas a seu ministério. "Se os senadores que rejeitaram a MP quiseram dar um recado de que têm uma demanda com o governo, não devem ser atendidos porque agiram de forma infantil", reagiu. "Ninguém me preveniu e agora quero saber o que fazer com a estrutura da Sudam e da Sudene."

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