Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Mansur, vídeos de Funaro e ação contra irmão de Geddel não alteram cenário da denúncia

Segundo vice-líder do governo na Câmara, Planalto tem 'número de votos consolidados' para rejeitar a acusação; oposição diz que Temer perde força

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2017 | 19h12

BRASÍLIA - O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse nesta tarde que o conteúdo da delação premiada do doleiro Lúcio Funaro e a operação policial contra o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel Vieira Lima, deflagrada na manhã desta segunda-feira, 16, não alteram o cenário pró-governo na apreciação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nesta terça-feira, 17. "Na minha opinião não muda absolutamente nada. Temos um número de votos consolidados", declarou.

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Mansur disse ainda que a carta distribuída por Temer aos parlamentares é "muito positiva". "É uma carta explicativa de uma pessoa acusada e que está se defendendo", resumiu. Nas contas de Mansur, o governo poderá alcançar os mesmos 41 votos conseguidos na primeira denúncia na CCJ porque, desta vez, a denúncia é "mais fraca". "Acredito que vamos ter uma votação muito expressiva, como na primeira denúncia", comparou.

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O vice-líder também minimizou o clima de animosidade entre Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e concluiu que ao dar publicidade aos vídeos de Funaro, Maia agiu com o respaldo do Supremo Tribunal Federal (STF). "Não vejo nenhum tipo de problema de relacionamento entre Maia e Temer", desconversou.

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Segundo Mansur, a estratégia nesta semana na CCJ é não alongar a discussão. "Vamos falar o mínimo possível para que a gente possa encerrar esse assunto nesta semana na CCJ", disse. Os governistas querem liquidar o tema na comissão na quarta-feira, 18, e deixar a votação de mérito para a próxima semana no plenário.

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OPOSIÇÃO

Enquanto os governistas tentam mostrar otimismo, na oposição a leitura é de que o governo começa a entrar em desespero com o esfacelamento da base aliada. "O governo perde força e não consegue se entender nem com seu aliado de primeira hora (Maia)", comentou o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Na avaliação dos oposicionistas, o ambiente do momento é diferente de dois meses atrás, quando foi enterrada a primeira denúncia, porque há sinais de desagregação dos aliados. "A situação se agravou muito de quinta-feira para cá", concluiu o petista. Segundo o líder da minoria, os vídeos de Funaro e a operação contra Vieira Lima hoje ajudaram a aumentar o número de governistas propícios a mudar o voto pela admissibilidade da segunda denúncia.

"O governo está fazendo água, tende a afundar e, percebendo isso, Temer tenta reagir, sem chance de conseguir êxito. Crescem cada vez mais as possibilidades de aprovarmos a denúncia contra ele na Câmara dos Deputados", acrescentou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

Guimarães cobrou da Procuradoria Geral da República (PGR) a abertura de procedimento para investigar a informação de Funaro sobre a suposta compra de votos de deputados para aprovar a abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff. "A PGR tem obrigação de encaminhar a investigação, até para fazer a reparação", disse o petista. 

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