DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Para Maia, é positivo governo abrir diálogo com parte do parlamento

Presidente da Câmara voltou a sinalizar que não deve pautar um pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro

Gustavo Porto e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 19h03

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elogiou as últimas movimentações do Palácio do Planalto em uma tentativa de aproximação do Centrão.

“É um bom caminho o governo ter uma base de apoio, aliados, partidos que construam um apoio, principalmente nesse momento da pandemia”, disse ao ser questionado sobre o tema em entrevista à TV Band. “Se o governo abriu o diálogo para estar mais próximo de uma parte do Parlamento, dos partidos que representam a Câmara dos Deputados e o Senado, acho que é bom.”, disse Maia.

Como o Estadão/Broadcast revelou, nessa aproximação o governo negocia cargos na administração federal com lideranças do Progressistas (legenda com 40 deputados), PL (39), PSD (37), Solidariedade (14), PTB (12) e Republicanos (31). O último partido abriga filhos do presidente.

Impeachment

Maia voltou a sinalizar que não deve pautar um pedido de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, neste momento. Na entrevista, o deputado voltou a falar sobre cuidado e paciência com o tema. “Temos de ter prioridades. Houve conflito do presidente com o ministro e vai para o impeachment? Não é assim. Temos de ter equilíbrio, paciência. É claro que, quando você pede a moderação, o Brasil e o mundo está mais radicalizado, uns contra e outros a favor. Mas o nosso papel é tentar reduzir a projeção, por exemplo, que eu vi ontem do número da taxa de desemprego, que vai para no mínimo 16%”, afirmou.

Ele disse ainda que é preciso que o governo atue com firmeza para garantir solvência de empresas e empregos. Segundo ele, a projeção é que informalidade chegue a 50% do mercado de trabalho no fim do ano.

Maia afirmou que há outros processos que envolvem o Palácio do Planalto que devem avançar. “Temos uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista da Fake News que vai avançar. Há o inquérito do ministro (do Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello que vai avançar e nós vamos focar nas pautas de combate ao coronavírus. É fundamental, ficarmos focados nisso”, disse.

“Acho que essa sinalização de tranquilidade a todos para que a gente possa garantir que o Brasil vá passar por essa fase emergencial”, disse. Para ele, o plano é enfrentar o vírus no curto prazo e o desenvolvimento do País no médio e longo prazos.

Polícia Federal

O presidente da Câmara afirmou que Alexandre Ramagem, recém-nomeado para a diretoria-geral da Polícia Federal, pode ter problemas na corporação. “Eu não conheço o quadro que foi para a PF. Acho que ele vai ter dificuldade na corporação da forma como ficou polêmica a sua nomeação. A gente sabe que é a PF é uma corporação muito unida, que trabalha de forma muito independente, qualquer tipo de interferência é sempre rechaçada. Vimos em outros governos que foi assim. Mas eu não o conheço”, disse.

Sobre o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, Maia disse acreditar que, como ele fazia “um ótimo trabalho na Advocaia-Geral da União, deverá fazer o mesmo no mesmo posto.

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