Para Maia, críticas de Gilmar Mendes à condução da Lava Jato devem ser 'muito bem ouvidas'

Após encontro com ministro, presidente da Câmara negou que haja crise institucional no País

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2016 | 12h54

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quinta-feira,25, que as críticas feitas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes à condução da Operação Lava Jato "precisam ser muito bem ouvidas" e negou que haja uma crise institucional no País.

"Quando ele (Gilmar Mendes) faz a crítica, ninguém tem de se sentir ofendido ou atacado. As pessoas têm de aproveitar que um ministro da qualidade do Gilmar Mendes (deu sua opinião) e avaliar por que ele fez aquela crítica", disse Rodrigo Maia a jornalistas, depois de audiência com Gilmar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O ministro preside o TSE e recebeu Rodrigo Maia em seu gabinete na Corte Eleitoral depois da sessão da manhã desta quinta.

"As instituições brasileiras estão muito fortes. As investigações (da Lava Jato) avançaram muito e em nenhum momento foram prejudicadas. Quando um ministro como o Gilmar Mendes faz críticas, elas precisam ser muito bem ouvidas. Nós temos dois ouvidos pra ouvir muito", comentou Rodrigo Maia.

Nesta semana, Gilmar classificou de "modelo de gambiarras institucionais" os benefícios que juízes de primeira instância recebem e afirmou que é "preciso colocar freios" na Lava Jato.

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) disse que o ministro "milita contra as investigações da Operação Lava Jato, com a intenção de decretar o seu fim, e utiliza como pauta a remuneração da magistratura". Seis associações que representam cerca de 18 mil integrantes do Ministério Público, em nota, também expuseram total apoio aos "excepcionais esforços e trabalho" da Procuradoria-Geral da República e da Lava Jato no combate à corrupção.

Encontro. De acordo com Rodrigo Maia, o encontro de 50 minutos com Gilmar foi para tratar da atual conjuntura política. "Vim falar um pouquinho sobre expectativa desse início das eleições municipais, preocupação nossa com a nova regra, com o fim do financiamento privado, que pode gerar muitos problemas. É só trocar ideias, fazer essa visita pra que a gente possa estar sempre conversando, discutindo e no momento eleitoral o TSE tem um papel importante que a gente sempre apoia", disse o presidente da Câmara.

Impeachment. Após audiência com Gilmar Mendes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), comentou a jornalistas que a conclusão do processo de impeachment é o “fim de um processo que está fazendo o Brasil sangrar muito”.

“Encerrar o processo é fundamental. O alongamento desse processo gerou um aprofundamento de uma crise que já era muito grande no momento em que a presidente foi afastada pela primeira vez no Senado", afirmou Maia.

Cassação. Sobre a votação da cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Rodrigo Maia demonstrou otimismo com o quórum na Câmara, apesar do calendário eleitoral.

“Esta semana deu 480 deputados numa semana de eleição. Setembro eu acho que o quórum vai ser parecido, é a minha opinião, acho que vai ser alto”, comentou Maia. A votação da cassação está marcada para o dia 12 de setembro, uma segunda-feira, tradicionalmente um dia com menos deputados em Brasília.

 

 

 

 

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