Para Maia, acordo com PFL depende de propostas de Lula

O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), avisa que integrantes do partido podem até conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas os pefelistas só aceitam abrir diálogo sobre a agenda de votações se souberem quais são as propostas do governo para essa discussão. E, mesmo assim, Maia acha que essas propostas têm que ser negociadas com o PFL pelos líderes governistas dentro do Congresso e não pelo presidente em pessoa."Ele ganhou a eleição. Então, cabe ao presidente dizer sobre o que quer conversar. Do contrário, fica sendo só uma foto com a oposição e nisso o PFL não tem interesse", diz Maia.A proposta de aproximação foi feita por Lula ao líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), na noite deste sábado, quando o presidente deu carona de avião ao parlamentar da oposição na volta de Três Lagoas (MS), onde foi enterrado o senador Ramez Tebet (PMDB-MS), até Brasília. Na conversa, revelada pelo Estado, Lula disse que deseja se encontrar com a oposição e até com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em torno da discussão de uma agenda de crescimento para o Brasil.Na avaliação de Rodrigo Maia, não há problemas em Lula se encontrar com pefelistas que ocupem cargos executivos, como é o caso do governador eleito do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia. Mas, segundo o deputado, nessas situações, as discussões giram em torno de pontos que interessam a essas administrações. Já a relação com o partido como um todo e com os representantes no Congresso, Maia defende que seja feita de outra maneira."Já existem outros interlocutores do governo dentro do Congresso com os quais mantemos diálogo. Não tem cabimento haver uma conversa do presidente com os deputados ou senadores do PFL. Até porque tivemos um embate muito duro na campanha e não concordamos com muitas coisas que o governo faz", avalia.Maia lembra, entretanto, que setores do PFL deram votos importantes a favor de projetos enviados pelo governo Lula ao Congresso, como nas reformas tributária e previdenciária. "Se ele quer diálogo com a oposição, poderia apresentar propostas que, por exemplo, aliviem a vida dos contribuintes, diminuindo a cobrança de tributos", sugere.Rodrigo Maia, porém, aposta que será muito difícil a concretização da aproximação entre o presidente e os partidos de oposição. Ele critica a afirmação feita por Lula no último sábado, no Rio, quando disse que poderia esperar o resultado da eleição para as presidências da Câmara e do Senado para anunciar sua nova equipe ministerial."Essa afirmação é um grave erro. Dá a impressão que ele quer que os partidos dêem ao governo o comando da Câmara e do Senado em troca de receber ministérios. Parece que o pagamento do mensalão agora é feito através da entrega de cargos", critica.

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