Para Lula, tese da Lava Jato contra ele é a mesma da 'extrema direita'

O ex-presidente particpou de um comício em apoio à campanha do candidato petista à prefeitura de Campinas, Marcio Pochmann, que reuniu menos de mil pessoas na região central da cidade

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2016 | 22h00

Campinas - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 28, em Campinas, que a tese do Ministério Público Federal (MPF) que o acusa de ser o chefe da quadrilha que desviou milhões da Petrobrás é a mesma da “extrema direita fascista” que deseja inviabilizar sua possível candidatura à presidência em 2018 e aniquilar o PT.

“Quando um procurador muito jovem, talvez muito experiente nos manuais que ele leu, diz que eu na verdade era chefe de uma quadrilha ou é ingenuidade política ou é má fé porque o (senador Ronaldo) Caiado também pensa assim, o (deputado Jair) Bolsonaro também pensa assim, porque a extrema direita fascista desse país sempre achou que nós do PT não éramos bem vindos na política nacional”, disse Lula.

O ex-presidente particpou de um comício em apoio à campanha do candidato petista à prefeitura de Campinas, Marcio Pochmann, que reuniu menos de mil pessoas na região central da cidade. 

O público reagiu à fala do ex-presidentes com gritos de “Lula ladrão do meu coração”. Acostumado a atrair grandes contingentes em suas passagens por Campinas, Lula não perdeu a chance de criticar a organização do ato. 

“Vocês são muito ousados de convocar um comício para as quatro horas da tarde (na verdade o ato começou 17h30). Aprendi que horário de comício é o horário da missa”, reclamou.

Pochmann, que é professor da Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo, o braço intelectual do PT, está em terceiro lugar nas pesquisas atrás do atual prefeito, Jonas Donizete (PSB), e do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), cassado em 2011.

Antes da chegada de Lula um grupo de aproximadamente 10 pessoas que defendem uma intervenção militar no Brasil causou tumulto ao tentar fazer um protesto no meio da militância petista. 

Eles foram expulsos com gritos de “golpistas”. A advogada Marilene Otaviano, que se diz intervencionista, tentou pular a grade de segurança que protegia o palanque mas foi contida. 

Um homem identificado como Nelson Filho gritou “a rua é pública” quando foi confrontado pelos petistas. Indagado sobre a liberdade de manifestação durante a ditadura militar, ele respondeu: “havia uma certa restrição à liberdade quando se atacava o governo mas a gente podia andar na rua sem ser assaltado”.  

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