Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Lula, Sarney foi tão importante quanto Ulysses na constituinte

Num discurso em que fez um desagravo à própria atuação e do PT, petista disse que o maranhense teve 'comportamente digno' durante o processo de formulação da Carta Magna

Ricardo Brito e Ricardo Della Coletta , Agência Estado

29 de outubro de 2013 | 15h56

Brasília - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta terça-feira, 29, durante cerimônia em comemoração aos 25 anos de Constituição brasileira, no Senado, uma homenagem pública à atuação de José Sarney (PMDB-AP) durante a Assembleia Constituinte. No discurso, em tom de desagravo à atuação dele próprio e do PT, ele disse que Sarney, responsável por convocar a Constituinte, foi tão importante quanto Ulysses Guimarães (1916-1992) na formulação da Constituição.

Em 1988, José Sarney era presidente da República e Ulysses Guimarães era o presidente da Câmara dos Deputados.

Em um breve discurso, Lula afirmou que Ulysses certamente foi o símbolo da Constituinte, mas ressalvou a importância da atuação de Sarney, atualmente senador pelo Amapá, presente à solenidade de entrega da Medalha Ulysses Guimarães. Lula disse que Sarney nunca se queixou das críticas e "desaforos" que recebeu durante todo o processo de elaboração da nova Carta Magna.

"Em nenhum momento, mesmo quando era afrontado no Congresso, o senhor levantou um único dedo, uma só palavra para criar qualquer dificuldades aos trabalhos da Constituinte, que certamente foi o trabalho mais extraordinário que o Congresso já viveu", afirmou ele, ao destacar o "comportamento digno" que teve em todo o processo. "Eu tenho consciência que o senhor não teve facilidade, muito menos moleza. Quero colocar a sua presença na Presidência no período da Constituinte em igualdade de condições com o companheiro Ulysses Guimarães", discursou.

Mea culpa. Lula negou que o Partido dos Trabalhadores tenha se recusado a assinar a Constituição de 1988, no processo constituinte. "Chegamos aqui com um projeto de Constituição e com um projeto de regimento interno", afirmou o ex-presidente. "Até brinquei outro dia que se ela (a Constituição proposta pelo PT) tivesse sido aprovada, eu teria um pouco de dificuldade de governar o País", pontuou Lula.

"O dado concreto é que nós não votamos favorável à Constituição porque tínhamos o nosso projeto, mas assinamos por termos participado (do processo constituinte)". O ex-presidente disse que na época da Constituinte era "jovem" e "muito impetuoso", mais até do que hoje em dia.

Durante cerimônia o ex-presidente Lula afirmou também que grande parte das políticas sociais colocadas em prática pelo seu governo (2003-2010) estão contidas na Constituição de 1988. "E esta Constituição continua sendo seguida pela presidente Dilma (Rousseff), que está aprofundando o combate à miséria neste País", completou.

Críticas. Lula fez também uma crítica àqueles que "desprezam" ou "avacalham" a política, citando inclusive a imprensa. Segundo ele, caso as pessoas lessem biografias de figuras históricas, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, elas "não iriam desprezar a política e, muito menos, a imprensa iria avacalhar a política como avacalha hoje".

"Não há um momento da história, em lugar nenhum do mundo, em que a negação da política trouxe algo melhor do que a política", afirmou Lula. "O que aparece sempre quando se nega a política é um grupo ou uma pessoa praticando, na verdade, a ditadura", concluiu.

Também receberam a homenagem os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Alvaro Dias (PSDB-PR), José Agripino (DEM-RN), Francisco Dornelles (PP-RJ), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Luiz Henrique (PMDB-SC) e Paulo Paim (PT-RS), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o ministro de Minas e Energia Edson Lobão e o ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, que colaboraram na elaboração da nova Constituição.

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