Para Lula, República do Congo 'ensina democracia'

Principais líderes da oposição não participaram de eleições mais recentes, em 2002

Rogério Wassermann, BBC

16 Outubro 2007 | 10h55

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que a República do Congo está "ensinando a construir uma democracia cada vez mais forte e na paz". O presidente fez a afirmação durante um discurso no palácio presidencial da capital do país, Brazaville, no segundo dia do giro que faz por países africanos.   Veja também: Dívida do Congo com Brasil pode virar investimento, diz Lula    Ainda em seu discurso, o presidente ressaltou a importância da democracia para o desenvolvimento. "Para um país se desenvolver, precisamos exercer a democracia, aprender a conviver na diversidade e construindo a paz. Somente na paz os países africanos podem prosperar." Lula fez as afirmações ao lado de Denis Sassou-Nguesso, o presidente congolês. Sassou-Nguesso chegou ao poder pela primeira vez em 1979, com um golpe de Estado, mas deixou o cargo após perder as primeiras eleições multipartidárias do país, realizadas em 1992. Sassou-Nguesso voltou ao poder em 1997 depois de uma rápida e sangrenta guerra civil, em que contou com o apoio de tropas angolanas. Em março de 2002, ele venceu novas eleições presidenciais em que dois de seus principais concorrentes - o ex-presidente Pascal Lissouba e o ex-primeiro-ministro Bernard Kolelas - foram impedidos de participar devido a novas leis de residência no país. O terceiro rival, Andre Milongo, desistiu da candidatura dois dias antes do pleito alegando que as eleições seriam fraudadas. Lula não fez nenhuma referência a essas eleições. No mesmo discurso, o presidente disse que a visita à República do Congo é uma retribuição à visita que o presidente congolês fez ao Brasil em 2006 e afirmou ainda que Denis Sassou-Nguesso deve ter se sentido à vontade durante sua passagem por Salvador. "Não há nenhuma diferença entre o povo baiano e o povo africano. A Bahia é o Estado brasileiro onde ser negro é motivo de orgulho. O senhor deve ter se sentido em casa", disse Lula ao presidente congolês. O presidente Lula disse ainda que, apesar de ser auto-suficiente em petróleo, o Congo pode se beneficiar do uso de biocombustíveis. "Os biocombustíveis têm duas coisas importantes. A primeira é que é uma fonte de energia renovável e limpa. A segunda é que gera emprego e renda para o povo mais pobre." Lula mencionou que, no Brasil, o governo criou um selo social que permite que as empresas que produzem biodiesel comprando de pequenos produtores recebam isenção fiscal do governo. O objetivo da medida, segundo o presidente, é "produzir uma nova sociedade, gerar mais emprego, mais cidadania". Depois do encontro com o presidente congolês, Lula seguiu para um encontro empresarial. Cerca de 30 empresários brasileiros acompanham o presidente em sua visita por quatro países africanos, buscando oportunidades de negócios. No encontro, Lula afirmou que as trocas comerciais entre Brasil e Congo aumentaram mais de 15 vezes - embora não tenha citado cifras - e que o Congo é uma importante porta de acesso para mercados da África Central. "Assim como o Brasil, o Congo é um país em construção, tem muitos investimentos em infra-estrutura e esses investimentos devem se expandir de forma exponencial", disse o presidente. Lula disse que o conhecimento das empresas brasileiras pode ajudar muito nesse processo e citou a Petrobras e a Vale do Rio Doce como exemplos de companhias que vêem potencial no Congo. O presidente anunciou ainda que o Brasil estuda transformar a dívida bilateral do Congo, equivalente a US$ 360 milhões, em uma linha de crédito para a compra de bens e investimentos. Depois da visita à República do Congo, Lula passa ainda pela África do Sul e Angola. Na segunda-feira, o presidente visitou Burkina Faso.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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