Para Lula, 'PSDB quer ganhar o Senado no tapetão'

Oposição pressiona por afastamento de Sarney; PT também aconselhou peemedebista a deixar cargo

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

01 de julho de 2009 | 16h07

Valendo-se de uma metáfora do futebol, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira, 1º, em Sirte, na Líbia, o pedido de afastamento do presidente do Senado, José Sarney, feito pelas direções do PSDB, do DEM e do PDT na terça-feira. Demonstrando impaciência sobre o tema, Lula afirmou que a saída do atual mandatário da casa não traria benefícios às instituições, e atacou a oposição afirmando que o PSDB quer ganhar o Senado "no tapetão". Nesta quarta, o PT engrossou o coro dos que pedem o afastamento do peemedebista.

 

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O ataque à bancada de oposição foi feito logo após sua participação na cerimônia de abertura da Cúpula da União Africana. Pouco antes de embarcar para Brasília, Lula falou a jornalistas brasileiros e se mostrou irritado quando questionado sobre a possibilidade de Sarney deixar o cargo. "O DEM e PSDB querem que o Sarney se afaste para o Marconi Perillo (senador pelo PSDB-GO e primeiro vice-presidente da Casa) assumir, o que não é nenhuma vantagem para ninguém", disparou. "A única vantagem é para o Marconi Perillo e para o PSDB, que querem ganhar o Senado no tapetão. Assim não é possível. Isso não faz parte do jogo democrático."

 

Lula seguiu nas críticas lembrando que nenhum dos partidos lançou candidatos na eleição em que Sarney saiu vitorioso. "Se o PSDB queria o Senado, deveria ter indicado um candidato e disputado, não é? Se o PFL quisesse, não deveria ter apoiado o Sarney."

 

Questionado sobre sua posição a respeito do eventual afastamento, o presidente não quis se pronunciar. "Este é um problema do Senado. O Executivo não dá palpite sobre isso", afirmou, argumentando que os senadores são autônomos em suas decisões: "Os senadores têm todos mais de 35 anos. Tomem a decisão que tiverem de tomar".

 

Seu único desejo foi pedir ao Congresso que não pare durante a crise. "Tem coisas importantes para serem votadas na Câmara e no Senado. O importante para o governo é que se vote o que tiver de votar, que se apure o que tiver de apurar, e vamos fazer o barco voltar a funcionar, porque o Brasil não pode ficar esperando."

 

Na terça-feira, em Trípoli, capital da Líbia, Lula havia elogiado a forma como Sarney vinha conduzindo o momento de instabilidade pelo qual passa o Senado. "Ontem (segunda-feira) eu recebi um informe de que o presidente Sarney pediu para a Polícia Federal investigar o emprego do seu neto. É assim que deve ser feito", reiterou então.

 

A comitiva presidencial, integrada também pelos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Comunicação Social, Franklin Martins, além do assessor especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, deixou a Líbia na tarde de ontem em direção a Brasília.

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