Para Lula, PMDB tem direito à presidência do Senado

Presidente acredita em substituição definitiva de Renan Calheiros na presidência da Casa

Leonencio Nossa, do Estadão,

16 Outubro 2007 | 11h40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a proposta de petistas de ocuparem o lugar do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no comando do Senado em caráter definitivo. "No Congresso, funciona assim: quem tem maioria no governa na Câmara ou no Senado. O PT tem a presidência da Câmara e o PMDB tem o direito de ter a presidência do Senado", disse ele em entrevista a jornalistas brasileiros nesta terça-feira, 16, no palácio do governo da República do Congo.   Veja também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  PMDB deflagra corrida para sucessão no Senado 'Nova denúncia contra Renan justifica sua cassação'  Leitura de requerimento no Senado oficializa licença de Renan   PSOL fará 6ª representação contra Renan na quinta  Mesa do Senado mandará 5º processo contra Renan ao conselho  Ex-assessor visita Renan e diz que senador está 'muito bem'   Lula descartou a possibilidade de o governo interferir na sucessão do Senado. "Não haverá hipótese de gerenciamento do presidente da República no que ocorrer no Senado", afirmou. O presidente reafirmou que considera que o problema da sucessão de Renan deve ser resolvido pelos próprios senadores. "O problema surgiu no Senado e a solução será encontrada no Senado. Não será no Palácio do Planalto", disse.   Apesar de Renan ter anunciado licença por 45 dias - e o interino Tião Viana (PT-AC) ter confirmado a decisão em discurso de posse -, o clima no Senado é de sucessão. Nos bastidores, o PMDB não admite perder o cargo. "Não estamos discutindo sucessão agora, mas acho difícil a bancada do PMDB abrir mão do cargo", afirmou o líder do partido, senador Valdir Raupp (RO).   Três nomes do partido estão cotados para assumir a presidência do Senado: Garibaldi Alves (RN), Pedro Simon (RS) e José Sarney (AM), o mais forte. "Mas Sarney só aceitaria o cargo se fosse unanimidade no partido e na base governista", diz o senador Gerson Camata (PMDB-ES), ao salientar que, nesse momento, só há consenso em torno de uma coisa: a inconveniência da volta de Renan. "Só a ameaça de Renan voltar já atrapalha o Senado."   Na última quinta-feira, 11, Renan anunciou licença da presidência do Senado por 45 dias. Apesar de caracterizar como transitório seu afastamento, o senador sinalizou nesta segunda-feira, 15, que nem ele mesmo acredita no seu retorno ao cargo. Ele e sua mulher, Verônica, iniciaram nesta segunda mesmo os procedimentos para deixar a residência oficial, onde estão vivendo desde que ele foi eleito para a presidência.   O Conselho de Ética reúne-se nesta terça-feira, 16, às 14h, para definir os procedimentos e o cronograma de trabalho a serem adotados para as investigações de três denúncias contra Renan. Uma quarta foi encaminhada pela Mesa na segunda-feira, 15, a da espionagem.   O pivô do caso, o ex-assessor Francisco Escórcio, esteve na manhã desta terça-feira, 16, na residência oficial do Senado em encontro particular com Renan. Na saída, limitou-se a dizer que o presidente licenciado está "muito bem".

Mais conteúdo sobre:
Senado Renan Sucessão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.