Para Lula, fome hoje é pior do que nos anos 50

O problema da fome é pior hoje do que era na década de 50. A afirmação foi feita pelo presidente de honra do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva, ao encerrar o primeiro seminário "Política de Combate à Fome Projeto Fome Zero", realizado no Sindicato dos Bancários de São Paulo. "Quando eu era pequeno, esperava meu irmão chegar em casa com um pedaço de mortadela, ou feijão, para minha mãe fazer um caldo. Como ocorria na minha família, há muitas outras assim hoje, só que elas não estão nas pesquisas porque têm vergonha de assumir que passam fome. Eu já passei por isso e sei como é", afirmou.Lula defende que, para acabar com a fome no País, é necessária uma decisão do Estado porque, segundo ele, o governo pode canalizar recursos para os lugares mais necessitados. "Deve haver 20 saídas para acabar com a fome, nós estamos apresentando as nossas", afirmou. O presidente de honra do PT admitiu, no entanto, que algumas mudanças deverão ocorrer no projeto do Instituto Cidadania e da Fundação Djalma Guimarães, coordenado por José Graziano da Silva e Walter Belik, professores do Núcleo de Economia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "O projeto está longe de ser definitivo, é preciso deixar os canais abertos", disse. Lula já formulou sua resposta a respeito de futuras críticas que o projeto possa receber. "Se alguém me disser que o programa é paliativo, eu responderei: é paliativo para quem tomou café da manhã, almoçou e jantou. Não queremos que nenhum brasileiro vá dormir sem ingerir a quantidade de alimentos correta". Apesar de ser o coordenador do Instituto Cidadania, ele negou que o projeto seja do PT. "Não é do partido, pois ainda nem foi aprovado por ele. Mas se isso vier a ocorrer não vamos reivindicar a sua paternidade", garantiu. A versão final do documento será levada à Brasília em 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação. Até lá, passará por mais três seminários para ser discutido.

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