Para Lula, fome deve ser tratada como problema político

Em discurso na reunião de Líderes Mundiais para Ação contra Fome e a Pobreza na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a fome é um problema social que precisa urgentemente ser tratada como um problema político. "Esta reunião é para somar os esforços de nações, povos, sociedade e pessoas em torno de um objetivo comum: combater a fome e a pobreza que ainda afligem tantos homens, mulheres e crianças no mundo. O fato de estarmos aqui líderes de mais de 50 povos e nações já faz crescer a nossa esperança. É um gesto forte e concreto no rumo de uma aliança mundial contra a fome e a pobreza", disse Lula em discurso na ONU. A reunião foi organizada por Lula, e pelos presidentes da França, Jacques Chirac, do Chile, Ricardo Lagos, e pelo o chefe do governo espanhol, José Luiz Rodriguez Zapatero. Lula disse que em 2000 foram estabelecidas coletivamente as Metas do Milênio, dando o necessário destaque à erradicação da fome. "Elas são justas e viáveis, mas podem tornar-se letra morta por falta de vontade política", disse. "Não podemos permitir que isso aconteça. Seria uma frustração tremenda para a grande parcela da humanidade, com danos gravíssimos à própria paz mundial", acrescentou. Lula ressaltou que o Brasil está fazendo sua parte e afirmou que o Fome Zero é um objetivo irrenunciável, que o governo tem perseguido com obstinação. "Combinamos medidas emergenciais com soluções estruturais, mobilizando todos os instrumentos disponíveis", observou. Ele também citou o Bolsa Família e disse que esse programa já incluiu 5 milhões de famílias pobres, o equivalente a mais de 20 milhões de pessoas. Citou também a redução de impostos sobre alimentos de consumo popular e o programa de financiamento da agricultura familiar, além de o governo estar implantando um novo programa de reforma agrária. "Estamos trabalhando com a sociedade civil para cumprir as metas do milênio". O presidente reconheceu que vários países também estão fazendo esforços consideráveis para combater a fome. Mas advertiu que essa não é uma tarefa que os povos possam cumprir isoladamente. "O que existe no mundo é fome de inclusão social, de oportunidades econômicas e de participação democrática. Uma política de combate à fome - imprescindível à inclusão social pela qual lutamos - supõe a retomada sustentada do crescimento econômico, com expansão do emprego e da renda de vastos segmentos de nossa sociedade, que hoje se encontram à margem da produção, do consumo e da cidadania. Supõe também reduzir as profundas assimetrias da economia mundial, para equilibrar o relacionamento comercial entre as nações e atenuar as pressões financeiras entre os países em desenvolvimento", afirmou. Lula disse que o desafio do combate à fome é tão grande que exige humildade para reconhecer que não há soluções prontas, nem fórmulas mágicas. "A pior resposta ao drama da fome é não dar resposta nenhuma. Apelo aos governos, organizações sociais, sindicatos e empresas para que reafirmem e ampliem seu compromisso, constituindo uma vigorosa parceria global pela superação da pobreza", afirmou.

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