Para Lula, fim do tributo corta ''''artéria do desenvolvimento''''

Presidente diz que País não pode prescindir da CPMF e fim do imposto implicaria corte de gastos de R$ 40 bi

Leonencio Nossa e Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2007 | 00h00

Por duas vezes, ao longo do dia de ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou na batalha em favor da renovação da CPMF até 2011. Em reunião com os líderes da base aliada, Lula disse que "não votar a CPMF é cortar uma artéria do desenvolvimento do Brasil". Também aproveitou para mandar um recado político, dizendo que a aliança governista é importante para o País.   Ouça trechos da entrevista de LulaAntes, em entrevista para oito emissoras de rádio, o presidente disse que "o Brasil não pode prescindir de R$ 40 bilhões" e que esse dinheiro é necessário para o financiamento dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e dos programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família."Se o Congresso prescindir da CPMF, vamos ter que cortar R$ 40 bilhões", disse. "Quer for contra, deve propor outro imposto no lugar."Lula rebateu as avaliações de que a carga tributária está aumentando no País. Alegou que o crescimento da arrecadação se deve ao crescimento da economia e à eficiência da Receita Federal. "As pessoas estão ganhando mais, muito mais", afirmou, referindo-se ao balanço dos bancos e das 100 maiores empresas."CARINHO"Ainda na conversa com radialistas, Lula criticou o direito de pessoas com diploma - que não é o caso dele - terem cela especial nas cadeias. Em seguida, defendeu que autoridades - que é o seu caso - sejam julgadas com "carinho", em foro privilegiado."Não acho que um governador ou um presidente devam ser julgados em qualquer comarca", disse. "É preciso um foro com carinho", completou Lula que, na condição de chefe do Executivo, só pode responder por crimes no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula citou o caso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que em 2004 ganhou status de ministro - e o direito de responder a processos apenas no Supremo. À época, tinham surgido denúncias contra Meirelles de supostas práticas de sonegação fiscal e evasão de divisas. O presidente afirmou que deu status de ministro para Meirelles, pois o subordinado precisava de garantias por comandar um cargo estratégico na área econômica. "Se ele não tivesse esse tratamento, daqui a pouco você pega o juiz de Caetés, o Meirelles passa lá e o cara manda prendê-lo", disse Lula, que nasceu nessa cidadezinha do agreste pernambucano.FORA DA MESALula aproveitou para desqualificar o plebiscito sobre a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, organizado por pastorais sociais da Igreja Católica, com apoio do PT. "Essa discussão sobre a Vale não está e nem estará na minha mesa", disse. "Um partido político tem autonomia para tomar decisões, mas esse tema não passa e não se discute no governo."

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