Gustavo Andrade / O Tempo / Pagos 18/08/2011
Gustavo Andrade / O Tempo / Pagos 18/08/2011

Para Lula, é 'imbecilidade' falar em sucessão presidencial

Em discurso inflamado, ex-presidente comentou entrevista dada por Paulo Bernardo

O Estado de S.Paulo,

18 de agosto de 2011 | 15h46

Depois de tomar umas caninhas, comer torresmo de barriga e leitão à pururuca, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pegou o microfone e fez um discurso inflamado para as lideranças da base aliada do governo, durante almoço em um restaurante de Belo Horizonte. O ex-presidente chamou de "imbecilidade" e "loucura" falar em sucessão presidencial agora, ao comentar entrevista dada pelo ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, de que Lula seria o candidato ideal em 2014.

 

"É imbecilidade e loucura falar em 2014 agora, se nem chegamos em 2012 ainda. Só existe uma pessoa que pode chamar essa conversa e ter o direito legítimo de falar no assunto, que é a companheira Dilma", afirmou.

 

Sem falar diretamente sobre a crise política que afeta o governo, o ex-presidente disse ter ficado feliz de saber que a presidente almoçou com ministros da base aliada, e ainda deu conselhos: ela não tem que se preocupar com a troca de ministros - numa referência à queda de Wagner Rossi, da Agricultura. Disse também que não é possível governar sem fazer alianças, e que esse é um trabalho que exige sensibilidade, costura e um exercício de democracia "24 horas por dia".

 

Lula também criticou o governo mineiro por não ter adotado no Estado o piso nacional dos professores, aprovado em sua gestão na presidência. Os professores mineiros estão em greve há mais de 70 dias por um salário básico de R$ 1.100.

 

O ex-presidente também falou sobre a crise econômica mundial, criticou os Estados Unidos e relembrou o que considera feitos do seu governo. Conclamou as lideranças aliadas a trabalhar para deixa Dilma governar com tranquilidade. E ainda falou de seus planos para o futuro: a produção de um documentário e de um livro por seu recém-criado instituto. O objetivo, segundo ele, é levar as políticas de sucesso adotadas pelo Brasil a outros países da América Latina e África.

 

Obama e a crise. No discurso, Lula criticou a postura dos Estados Unidos na condução da crise econômica mundial. Segundo o ex-presidente, Obama deve se preocupar menos com as eleições norte-americanas e mais com a solução dos problemas da economia. Lula também condenou o que chamou de "irresponsabilidade" dos países ricos.

 

"Estou vendo agora uma campanha nos Estados Unidos antecipada em quase dois anos, enquanto a crise já poderia ter sido resolvida, porque não vai resolver (a crise) salvando bancos, vai resolver dando ao povo trabahador o direito de comprar", afirmou.

"Nosso problema é como evitar que o Brasil seja arranhado nessa crise irresponsável dos países ricos, sobretudo da Europa e dos Estados Unidos", disse o ex-presidente.

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