Para Lula, é absurdo falar em campanha antecipada

Presidente rebate adversários, que o acusaram de promover candidatura Dilma fora do prazo legal

MONICA BERNARDES, ESPECIAL PARA O ESTADO, e CLARISSA OLIVEIRA, ENVIADA ESPECIAL, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

Um dia depois de o DEM e o PSDB apertarem o cerco ao governo federal contra o que classificam como antecipação de campanha eleitoral, para beneficiar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu ontem com irritação e respondeu duramente aos adversários, a quem atribuiu "um comportamento injusto e pequeno". As declarações foram feitas durante uma rápida entrevista coletiva, após a visita do presidente ao primeiro projeto de Aqüicultura Marinha do País, no Recife.DEM e PSDB ameaçaram recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral, argumentando que o presidente promove sua candidata antes do prazo legal para o início da campanha eleitoral."Eu sinceramente acho isso uma coisa tão absurda, tão pequena", disse Lula. "Uma pessoa só é candidata depois que acontece a convenção de seu partido, que só acontece no ano que vem. É a Dilma que trabalha aos sábados e domingos. É a Dilma que vai até as 3h da manhã, é ela quem acompanha cada obra, que conversa com cada prefeito e governador deste País, incluindo o (José) Serra, sobre o andamento das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). É ela que vai ao TCU. Foi ela quem eu denominei a mãe do PAC. Por isso, a Dilma vai continuar viajando e acompanhando tudo de perto."Lula aproveitou ainda para questionar se os adversários colocariam seus pré-candidatos "em uma redoma, para evitar que viajassem pelo País". "Nós, do governo, estamos interessados em garantir que o trabalho ande, em fazer com que todas as obras do PAC sejam concluídas até o final de 2010. E eles? Qual será o motivo das viagens que os pré-candidatos deles estão fazendo?"Indagado sobre a possibilidade de o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, ocupar a vaga de vice em uma eventual chapa encabeçada pela ministra Dilma, Lula deixou clara sua disposição de apoiar a reeleição do aliado. "O Eduardo começou uma obra muito grande em Pernambuco e dificilmente acredito que ele vá conseguir fazer tudo o que tem que fazer em quatro anos. Ele é hoje uma das principais lideranças políticas deste País e pode dar o salto que quiser. Mas o que eu realmente acho é que os adversários do Eduardo devem se preparar."REFORMA AGRÁRIAEm Ceará-Mirim (RN), nos arredores de Natal, Lula visitou uma plantação de mamão e um viveiro de tilápias mantidos por assentados. Deixando de lado o discurso político, não citou Dilma.O mais próximo que chegou de rebater críticos do governo foi ao falar sobre o apoio a assentados em programas de reforma agrária. "Quem quer trabalhar tem terra. Quem quer trabalhar tem crédito. Quem quer produzir, o governo compra, como estamos comprando. Agora, quem quiser apenas fazer discurso, que se candidate a alguma coisa, pelo amor de Deus", discursou o presidente.Do PAC, o presidente apenas mencionou rapidamente as obras da BR-101, um dos itens previstos no programa federal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.