Para Lula, acusações de campanha antecipada são 'barulho' da oposição

Em entrevista para jornal da Bahia, presidente diz que advogados irão recorrer de decisões do TSE

estadão.com.br,

26 de março de 2010 | 12h52

Em entrevista ao jornal A Tarde, de Salvador (BA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não há campanha eleitoral "antecipada", nem "dissimulada" em favor da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que é pré-candidata do PT à Presidência da República.

 

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A afirmação foi feita ao responder a uma pergunta sobre a multa de R$ 5 mil aplicada a ele pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propaganda eleitoral antecipada em favor de Dilma em um evento de inauguração de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na comunidade de Manguinhos, no Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira, 25, Lula voltou a ser multado, desta vez em R$ 10 mil, pelo mesmo motivo, só que por um discurso feito em São Paulo.

 

Segundo Lula, a acusação é "barulho" da oposição. O presidente lembrou que a decisão do TSE não é definitiva e disse que seus advogados irão entrar com recurso.

 

"Espero que a multa seja anulada, uma vez que, no meu entendimento, não houve nem tem havido campanha antecipada, nem dissimulada. O fato concreto é que todo esse barulho é feito pela oposição por razões políticas", disse.

 

Lula argumentou que quando a oposição estava no poder, ela não tinha empreendimentos para inaugurar, ao contrário do que ocorre em seu governo. Segundo ele, é preciso então prestar contas à população do que foi feito, entregando as obras.

 

"Não podemos ser penalizados por tomar iniciativas, por criar programas, por investir em obras mais do que necessárias, que há muito tempo já deveriam ter sido feitas por outros governos", disse.

 

O presidente ainda defendeu a participação da ministra Dilma nesses eventos. "Se a ministra Dilma Rousseff é a coordenadora do PAC, se ela se empenhou, dedicou sua energia, sua inteligência em prol das melhorias que estamos implementando, por que na hora da inauguração tem que ficar recolhida em casa?".

 

Questionado sobre o risco de que a ministra caia nas pesquisas de intenção de voto à Presidência após deixar o governo e não mais participar de eventos públicos pelo país em sua companhia, Lula disse acreditar que ocorrerá o contrário. Em sua avaliação, quando Dilma deixar o cargo ela terá mais tempo livre para as articulações e para "se dedicar de corpo e alma à campanha".

 

Na Bahia

 

Lula participa nesta sexta-feira, 26, da inauguração do Gasoduto Sudeste-Nordeste, em Itabuna (BA), ao lado da ministra. À tarde, em Ilhéus, Lula e Dilma participarão da cerimônia de lançamento dos editais para a licitação da Ferrovia Oeste-Leste e assinatura de contratos do programa Minha Casa Minha Vida para municípios da Bahia

 

No multa julgada nesta quinta-feira pelo TSE, os ministros entenderam que Lula fez propaganda dissimulada pró-Dilma durante inauguração do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo em janeiro.

 

"Então, eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito. E quem vier depois de mim - e eu, por questões legais, não posso dizer quem é; espero que vocês adivinhem, espero -, quem vier depois de mim já vai encontrar um programa pronto, com dinheiro no Orçamento, porque eu estou fazendo o PAC 2 porque eu preciso colocar dinheiro no Orçamento para 2011, para que as pessoas comecem a trabalhar", disse Lula na ocasião.

 

O julgamento chegou a ficar em 4 votos a 0, mas o voto do ministro Félix Fischer, que apresentou razões para embasar a interpretação de campanha antecipada, levou o presidente da corte, ministro Ayres Britto a retificar seu voto e comandar uma virada no placar. "Quem fica mais perto da lareira se aquece melhor", comparou Ayres Britto, ao avaliar que o candidato apoiado por quem está no poder tem vantagens. O julgamento terminou em 4 votos a 3 pela punição de Lula. O TSE rejeitou, porém, o pedido para que Dilma também fosse punida.

 

Provocação

 

Também nesta quinta, em Osasco, na Grande São Paulo, o presidente voltou a incitar a plateia a gritar o nome de Dilma, durante ato para entrega de moradias do PAC. E ironizou a multa que recebeu na semana passada.

 

"Eu não posso falar em nomes porque já fui multado pela Justiça Eleitoral em R$ 5 mil, porque disseram que eu falei o nome de uma pessoa", reclamou. As cerca de 500 pessoas que assistiam ao ato e até então ouviam silenciosamente entenderam o recado e começaram a gritar o nome de Dilma. "Se eu for multado vou trazer a conta para você", brincou Lula.

 

Na mesma solenidade, Dilma fez discurso de candidata. "Nós vamos continuar fazendo habitação, casas, lares aqui em Osasco para vocês", disse.

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