André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Para líderes da base, revisão enfraquece nova denúncia na Câmara

Deputados governistas querem a anulação das provas; oposição defende a manutenção das investigações

Isadora Peron e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 00h36

BRASÍLIA - Líderes da base aliada afirmaram nesta segunda-feira, 4, que a revisão dos termos do acordo de colaboração premiada dos executivos da J&F enfraquece a apresentação de uma eventual segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. No Congresso, a previsão era de que uma nova denúncia seria apresentada pela Procuradoria-Geral da República nesta semana.

“Esse fato mostra aquilo que toda a sociedade tem manifestado. Há muitas dúvidas sobre esse acordo. Muitos benefícios, imunidade 100% em troca de algo que não parece consistente”, afirmou o líder da maioria na Câmara, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES).

Para o parlamentar, se uma segunda denúncia tiver como base os depoimentos dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores do Grupo J&F, isso trará suspeição à figura do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Usar essa mesma matéria-prima pode colocar Janot em situação constrangedora e até mesmo levar ao questionamento do seu papel nesse procedimento”, disse.

O relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), afirmou que o “prejuízo” que a delação premiada dos irmãos Batista trouxe para o País é “um fato consumado”, sobretudo para a economia, já que depois que o acordo veio à tona, a reforma ficou inviabilizada. “Não é razoável que Janot ainda tenha vontade de fazer essa segunda denúncia. É importante que a PGR tenha sensatez nesse momento”, disse o deputado.

Anulações. Para o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), eventuais provas obtidas sob ilicitude devem ser anuladas. “Uma segunda denúncia que começa agora terá de ser analisada de maneira mais profunda”, afirmou.

Presidente em exercício da Câmara, André Fufuca (PP-MA), evitou se manifestar sobre o assunto. Segundo ele, não há como avaliar se os novos fatos enfraquecem ou não uma segunda denúncia contra Temer. “Eu só poderia afirmar se enfraquece ou não depois de termos conhecimento. Mas a Câmara não vai se furtar do seu papel, que é respeitar o regimento da Casa”, disse Fufuca.

O principal aliado do governo Temer, porém, adotou tom diferente. O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), afirmou que as provas que foram produzidas a partir dos depoimentos da delação “não podem ser jogadas fora”. “Minha impressão é de que não há comprometimento das provas”, declarou o tucano.

Essa também é a opinião dos deputados da oposição. Para Chico Alencar (PSOL-RJ), os novos elementos trazidos por Janot não invalidam o que foi dito sobre Temer pelos delatores. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) também negou que as novas revelações enfraqueçam a apresentação de uma segunda acusação formal contra o presidente da República. 

“Todas as provas contra Temer permanecem válidas. Isso não fragiliza nem coloca em questão tudo que foi revelado”, disse o parlamentar da Rede.

Até mesmo na base do peemedebista, há deputados defendendo a validade das provas colhidas pela Procuradoria-Geral da República no acordo de colaboração da J&F.

“As denúncias do procurador Janot não são afetadas. As investigações devem continuar, doa a quem doer”, afirmou o deputado Marcos Rogério (DEM-RO).

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