Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Para líderes da base e da oposição, defesa de Cunha 'não convence'

Parlamentares ouvidos em anonimato criticaram os argumentos antecipados pelo peemedebista e já divulgados pela imprensa nos últimos dias

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2015 | 18h09

Brasília - Lideranças da oposição e de partidos governistas avaliaram, reservadamente, que a defesa que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pretende apresentar ao Conselho de Ética da Casa e ao Supremo Tribunal Federal (STF) é "inconsistente" e "absolutamente frágil". Para parlamentares ouvidos pelo Broadcast Político sob condição de anonimato, os argumentos antecipados pelo peemedebista e já divulgados pela imprensa nos últimos dias "não convencem" e não dão tranquilidade para Cunha seguir no cargpo.

Como revelou o Estado,  o presidente da Câmara deverá afirmar ao Conselho de Ética que desconhecia a origem do depósito de 1,3 milhão de francos suíços em 2011, em seu favor, num fundo da Suíça e que todo o dinheiro que tem fora do País é fruto da venda de carne enlatada para África e de operações no mercado financeiro. O peemedebista é acusado de ter contas secretas na Suíça, por meio das quais teria recebido dinheiro de propina de desvios de contratos na Petrobrás, e patrimônio não declarado no exterior.

Para escapar da cassação de seu mandato no Conselho de Ética por supostamente ter mentido durante depoimento à CPI da Petrobrás , quando negou ter contas ilegais, Cunha deverá sustentar que não tinha recursos depositados na Suíça ou em qualquer outro paraíso fiscal. O peemedebista dirá que possui trustes, e não contas correntes. O truste consiste na entrega de um bem ou dinheiro a uma instituição para que ela o administre em favor do depositante ou de um beneficiário. O deputado dirá que era beneficiário, e não administrador. 

"Ele construiu uma versão, é estratégia dele, mas não é consistente. É uma coisa absolutamente frágil", diz um líder da oposição ao governo Dilma Rousseff . Para o deputado, os argumentos "não convencem". "Até porque ele pode não ter mentido que tinha contas, mas ter truste não declarada também é crime", afirmou. "Assim como o (ex-presidente Luiz Inácio) Lula (da Silva) está com medo de ser preso, o Cunha está com medo de ser cassado. As acusações são graves", comentou outro opositor. 

Sem respiro. Para deputados governistas, a defesa apresentada por Cunha não dá "respiro" ao peemedebista. "Nesse momento são apenas palavras. Não resolvem o problema. O Conselho de Ética vai querer comprovação com documentos", afirmou um parlamentar do PT. Na avaliação do deputado, as provas apresentadas pelo Ministério Público da Suíça de que o presidente da Câmara possui contas secretas e patrimônio não declarado são bastante contundentes. "Tudo vai depender da defesa formal. O que foi adiantado até agora não dá respiro para ele", avaliou. 

Como vem mostrando o Broadcast Político, embora publicamente defenda seu afastamento, nos bastidores a oposição apoia o presidente da Câmara, para estimulá-lo a deferir o pedido de impeachment de Dilma apresentado por eles. Opositores, contudo, deram prazo até 15 de novembro para Cunha anunciar sua decisão. Após esse período, pretendem subir o tom contra o parlamentar. O peemedebista, por sua vez, utiliza-se disso para jogar também com o governo, cobrando apoio à sua permanência no cargo em troca de não deflagrar o processo de afastamento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.