Pará lidera ranking de violência no campo

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) anunciou, nesta quarta-feira, que 29 sem-terra, lideranças, trabalhadores rurais, posseiros e assentados foram assassinados no campo em 2001.O Estado do Pará lidera o ?ranking? de violência rural, com dez assassinatos. Além da violência, a comissão também se preocupou em elaborar um documento sobre a escravidão no campo. Neste ano, 2.062 trabalhadores foram mantidos sob esse regime.Para o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, os dados da CPT são exagerados e não se baseiam em dados oficiais.De acordo com ele, o governo apurou em processos criminais 54 assassinatos em zonas rurais. Porém, apenas 18 teriam sido por causa de conflitos agrários.?A CPT se baseia em boatos e notícias que saem na imprensa nacional, que nem sempre estão corretas?, explicou Gercino Filho.O ouvidor informou ainda que o governo reforçará o policiamento nas delegacias do Pará. Além disso, afirmou, será criada uma força-tarefa no Estado para prender as pessoas com mandado de prisão decretado pelo Judiciário.Somente na fazenda Mandaçaia, no município de Xinguara, no sul do Pará, existem 11 empregados com prisão decretada há um ano e ainda continuam soltos. ?Eles serão os primeiros?, revelou."A gente nota a persistência e o agravamento da violência no campo sob todos os pontos de vista, desde o assassinato até o trabalho escravo", avaliou o presidente da CPT, Dom Tomás Balduíno.Apesar do problema no País, ele ressaltou que há muita resistência por parte dos trabalhadores rurais, tanto daqueles ligados à Contag, como dos ligados a outros movimentos de sem-terra. "Não é um povo vencido, não."Durante a entrevista, o presidente do CPT, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos, e o coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), Waldir Misnerovcz, afirmaram que houve retrocesso na questão da reforma agrária.O presidente da Contag reclamou que o governo até hoje não sabe quantas famílias foram assentadas este ano.Segundo ele, o presidente Fernando Henrique Cardoso fala em 23 mil famílias, enquanto o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, afirma que foram 60 mil. José dos Santos disse também que, dos recursos destinados ao Incra em 2001, foram gastos apenas 69%.

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