Para líder do PT, votação de impeachment abriu 'fraturas na base' ao separar condenação de Dilma

Senador Humberto Costa diz que decisão que manteve direitos políticos de Dilma 'tirou a força do que eles (governistas) quiseram passar'

Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2016 | 18h51

Brasília - O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), esteve com a ex-presidente Dilma Rousseff após o resultado do impeachment e disse que ela "estava bem e muito firme" na convicção de que o PT voltará ao poder. Segundo Costa, Dilma não tem intenção de se candidatar novamente a nenhum cargo político. No entendimento do parlamentar, a decisão que manteve a elegibilidade de Dilma não permite, na prática, que ela se candidate devido a Lei da Ficha Limpa. A interpretação, contudo, não é pacificada e muitos parlamentares consideram que Dilma poderia disputar um novo cargo público se quisesse.

Para Costa, o resultado do impeachment, com a separação da condenação, passa uma imagem contraditória para a população. "O resultado de hoje tirou a força do que eles (governistas) quiseram passar e também abriu fraturas na base", afirmou, fazendo referência ao racha entre o partido do presidente, o PMDB, com PSDB, DEM e PV. "Isso demonstra que não havia convencimento de todos os senadores. A pena era grande e desproporcional demais para as acusações. O resultado transmite a leitura de que o julgamento tinha um teor político muito grande, caso contrário o Senado não teria dado uma meia absolvição", comentou.

Ele negou que tenha havido um acordo entre PT e PMDB para salvar Dilma. "Não poderíamos fazer acordo com os nossos algozes."

Segundo o líder do PT, a sugestão de separar as acusações partiu da defesa de Dilma e não era consenso entre os membros da bancada na Casa. "Isso virou uma maneira de fazer alguma compensação para Dilma. Muitos ex-ministros gostam muito dela." Costa contou que alguns senadores acreditavam que a divisão poderia deixar algumas pessoas "confortáveis" para votar na destituição de Dilma. Por outro lado, o petista considera que a separação pode "abrir uma banalização ainda maior no impeachment".

Costa considera que Dilma cumpriu o papel de defender a democracia até o final do processo de impeachment. Agora, ele acredita que o PT atuará fortemente como oposição e rediscutirá questões internas. Durante a posse de Michel Temer, após a votação do impeachment, nenhum dos aliados de Dilma compareceu à sessão. "Se a gente viesse seria para vaiar, não tinha necessidade", afirmou.

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