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Para líder do PSDB, impeachment é melhor só em 2016

Cássio Cunha Lima defende que é preciso mais pressão da opinião pública para que o afastamento de Dilma Rousseff aconteça

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2015 | 17h35

BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), defendeu o recesso legislativo e acredita que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff será mais forte se tiver continuidade só depois das festividades de fim de ano. "Mobilizar a sociedade nessa época do ano será uma tarefa um tanto quanto difícil. Temos Natal, Ano Novo, férias escolares, janeiro já emenda com o Carnaval, é difícil", argumentou.

As declarações são em resposta à tentativa do governo e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de cancelar o recesso legislativo, que começa em 22 de dezembro. Cunha gostaria de dar sequência ao processo de impeachment que ele mesmo autorizou na tarde de ontem. Coincidentemente, acelerar o processo, também é de interesse do Planalto, que acredita que o curto intervalo de tempo pode jogar à favor da presidente. 

O senador tucano fez um paralelo com o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor e acredita que é preciso mais pressão da opinião pública para que o afastamento de Dilma Rousseff aconteça. "O impeachment do Collor nasceu na rua e veio para o Congresso Nacional. Agora o pedido nasce no Congresso e tem que ir para a rua. A sociedade precisa se manifestar mais claramente, não apenas nas pesquisas de opinião. Só vai ter impeachment se houver rua", afirmou.

Cunha Lima acredita que o clima de impeachment ainda está interiorizado no Congresso Nacional, o que é prejudicial para que se concretiza. "Esse clima está muito voltado para o ambiente político. E se deixar nas mãos da maioria dos políticos, ele vai ser cozinhado em banho-maria e não vai levar à lugar nenhum", defendeu. Nessa perspectiva, o recesso ajudaria a superar o período de Natal e dar mais chances à oposição de mobilizar as ruas.

A opinião de Cunha Lima segue a mesma linha de Aécio Neves (PSDB-MG), que se posicionou a favor do recesso e da reaproximação dos parlamentares aos seus Estados ainda na noite de ontem. O senador conversou por telefone com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também é favorável ao recesso. Por outro lado, outro tucano, José Serra (SP), prefere que o processo siga o quanto antes. 

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