Para líder do governo, prisão de Geddel não reflete em votação sobre denúncia

André Moura afirma não haver 'nenhum tipo de conexão' entre os dois cenários que impacte na votação ligada à acusação contra presidente

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2017 | 18h36

BRASÍLIA - O líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), disse acreditar que a prisão do ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima não terá influência sobre os deputados na análise da denúncia contra o presidente Michel Temer. Para Moura, não há conexão entre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer e a acusação que pesa contra Geddel.

"Espero que não tenha nenhum impacto porque o motivo que gerou a prisão não tem nenhum tipo de conexão com a denúncia em relação ao presidente Michel Temer. Nossos parlamentares têm transmitido a certeza da rejeição da denúncia", declarou. O líder no Congresso admite que haverá exploração política do episódio por parte da oposição, que a situação gera desgaste, mas que a denúncia em si não traz fato comprometedor contra Temer. Ele, no entanto, reconhece que é preciso trabalhar para que a prisão não contamine o ambiente na Câmara.

No cronograma dos governistas, a partir da entrega da defesa de Temer na quarta-feira, 5, é possível votar a denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana, com possibilidade de votação no plenário antes do recesso, que começa no dia 17. Moura, que passou a tarde ligando para membros da CCJ, disse contar com mais de 34 votos contra a admissibilidade da denúncia. Sobre a escolha do relator, o deputado disse esperar que o escolhido do presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), não seja um parlamentar "que faça da relatoria um palanque político".

Para que o prazo das cinco sessões de apreciação na CCJ seja cumprido, os governistas pretendem marcar presença na sexta-feira, 7, e na segunda-feira, 10, dias em que tradicionalmente não há quórum para abertura de sessões na Câmara. "Nossa pressa é de quem tem compromisso com o futuro do País", alegou.

Moura admitiu, no entanto, que a palavra final sobre a votação no plenário cabe ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O líder também não descartou a possibilidade de votação num domingo. "O que queremos é cumprir o prazo regimental das cinco sessões", observou.

Para que haja recesso, os parlamentares precisam votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo Moura, a previsão de votação é dia 14 de julho. E, para votar a LDO, o Congresso precisa antes apreciar os 17 vetos presidenciais que trancam a pauta.

Otimismo. Os líderes governistas dizem que o ideal é ir para o recesso "com tudo resolvido" na Câmara. Ter maioria na CCJ, dizem os parlamentares, seria uma relevante sinalização. "Uma vitória na CCJ é muito importante. E o governo trabalha com maioria", disse o líder do PMDB, Baleia Rossi (SP).

O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse que quanto mais rápida for a votação da denúncia, melhor. "Precisamos resolver isso com a maior celeridade possível", comentou. Nas contas de Mansur, o governo teria 35 votos na CCJ, 18 indecisos e 14 membros votando a favor da denúncia.

Mansur, no entanto, acha improvável votar a denúncia no plenário antes do recesso porque o ambiente político está tumultuado. "Antes do recesso? Esquece", respondeu.

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