Para Lampreia, Amorim dissimula antiamericanismo

As relações entre Brasil e Estados Unidos "estão boas porque há uma força inercial favorável a isso, que inclui a densidade comercial", e porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "tem uma postura que contribui favoravelmente" para esse bom clima. A avaliação é do ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, antecessor de Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores. Quanto aos argumentos de Amorim, que em entrevista ao Estado publicada no último domingo atribuiu esse bom momento ao trabalho do Itamaraty, Lampreia afirma que "o que se viu foi novamente a prática da arte da dissimulação, típica do ministro". Para ele, é dissimulação "dizer que o Itamaraty não pratica o antiamericanismo" - uma acusação feita na semana passada pelo ex-embaixador brasileiro nos Estados Unidos Roberto Abdenur. Outro exemplo, para Lampreia, foi o modo como Amorim mencionou os números do comércio entre Brasil e EUA, que esconde o fato de que "esse crescimento comercial, no caso de outros países, foi muito maior". "O que garante o bom clima entre os dois governos", diz Lampreia, "é a postura do presidente Lula". "Graças a ele as relações ficam preservadas mesmo que haja no Itamaraty pessoas que praticam o antiamericanismo." Boas relações Na avaliação de Tulio Vigevani, professor de Ciência Política e Relações Internacionais da Unesp, "há uma preocupação permanente" do lado americano de manter boas as relações com Brasília - mas isso não significa, como se anunciou, que elas possam se tornar o centro das preocupações do governo Bush. "Eles são a maior potência do planeta e sua visão é de conjunto. Inclui Ásia, África e Europa e suas estratégias sempre levam em conta o peso e o papel de cada região." Para Vigevani, que é também membro do Instituto de Estudos Avançados da USP, não se deve imaginar "uma virada" mas sim "adaptações constantes no relacionamento". Ainda assim, o presidente da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, Roberto Giannetti da Fonseca, animou-se com a visita do subsecretário de Estado Nicholas Burns: "Percebi, em contato com ele, uma postura diferente. Eles são pragmáticos. Achei a conversa sobre o etanol das mais promissoras."

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