Para Kassab, PEC ''é a única solução''

Na avaliação do prefeito, risco maior é o de São Paulo ''quebrar''

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

A exemplo do governador José Serra (PSDB), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), reagiu ontem à ameaça da agência de classificação de risco Austin Rating de rebaixar a nota de crédito do governo paulista e da prefeitura. "Acho muita coincidência e estranho a agência ter se manifestado na véspera de uma audiência pública na Câmara para discutir o tema", disse Kassab em Brasília.Para ele, a aprovação da proposta de emenda constitucional que institui regime especial de pagamento de precatórios "é a única solução" para Estados e municípios. O texto, já aprovado pelo Senado, hoje tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.Kassab disse que, como prefeito, é preciso agir com responsabilidade. "Risco maior é a capacidade de a cidade quebrar."Segundo dados da Secretaria Municipal de Finanças, o estoque atual de precatórios da capital paulista é de R$ 11 bilhões. "A situação está ficando comprometedora. De janeiro até abril foram sequestrados R$ 182 milhões. O caso é grave", disse Kassab. Em maio, segundo o secretário de Finanças do município, Walter Aluisio Morais Rodrigues, o sequestro foi de R$ 58 milhões.Durante a audiência pública, o prefeito pediu "pressa" para que o Congresso ache uma solução. A proposta, resultante de intenso lobby de governadores e prefeitos, cria um teto anual para o desembolso de Estados e municípios com o pagamento de precatórios. Prevê ainda a realização de leilões para que sejam pagos em primeiro lugar os credores que oferecem os maiores descontos nas dívidas. Hoje, o governo paulista paga precatórios com 11 anos de atraso.Representante da Secretaria da Fazenda de São Paulo na audiência pública da CCJ, José Roberto Moraes disse ontem que, com a PEC, será possível deixar as dívidas de precatórios em dia em até 15 anos. "Se mantida a situação de hoje, as dívidas com precatórios do Estado de São Paulo devem demorar 40 anos para serem pagas."Líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (PSDB) também saiu em defesa da aprovação da PEC, que deve passar pelo plenário da Casa sem grandes alterações, na avaliação dos congressistas.O tucano disse não ver "nexo" no iminente rebaixamento da nota de crédito do Estado e da capital por causa da proposta. "A PEC vai deixar as regras mais claras e vai dar segurança àqueles que têm precatório alimentar."

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