Para Jefferson, faltou procurador denunciar 'Ali Babá' no Mensalão

Apesar das críticas, ex-deputado diz estar otimista com o resultado do julgamento do STF

Paulo Maciel, da Agência Estado,

27 de agosto de 2007 | 06h35

O ex-deputado Roberto Jefferson disse estar otimista com o resultado do julgamento do caso do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que será retomado nesta segunda-feira, 27, às 14 horas. "O Supremo está tomando uma atitude histórica que vai dar solução a muitos casos claros de corrupção havidos nesse momento de mensalão do governo do presidente Lula", previu o ex-deputado em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes. "A coisa não vai ficar impune, ela não vai ser varrida para debaixo do tapete", sustentou. No entanto, Roberto Jefferson criticou a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, que considerou "marqueteira": "Ele quis fazer 'os 40 ladrões' mas não colocou 'o Ali Babá.'" Jefferson disse que o Ministério Público tem jogado muito com o marketing e, mais particularmente, o Ministério Público Federal. Na opinião do ex-deputado, ao arrolar os 40 envolvidos em um único processo, o procurador-geral acabou sobrecarregando o Supremo. "Se ele arrola 40 testemunhas sem relacionar cada testemunha a um fato, ele permite que cada réu - que são 40 - arrole 40 testemunhas. São 1.600 testemunhas", explicou. "Com isso, ele vai provocar que nós tenhamos um debate muito longo no STF." Ao ser questionado se o esquema era ou não de conhecimento do presidente Lula, foi provocativo: "Não é possível que o presidente Lula continue ignorando tudo o que está acontecendo dentro do seu governo". Vala comum Além disso, Jefferson critica o fato de o procurador tê-lo colocado na defensiva ao incluir o nome dele "na vala comum do mensalão". "Porque, a partir do momento que você perde a imunidade parlamentar, cassado e é réu, tudo o que se fala é interpretado contra você", sustentou o ex-deputado. Ele voltou a afirmar que os R$ 4 milhões que recebeu seriam parte de acordo entre o PTB e o PT no total de R$ 20 milhões para financiar o PTB nas eleições municipais. "Quando ele me coloca na vala comum do mensalão, dá a impressão de que eu também recebi dinheiro para votar em favor do governo. E eu não fiz isso", garantiu. "Recurso eleitoral não tem nada a ver com mensalão." De acordo com Roberto Jefferson, o País ainda não se livrou do caixa dois nas eleições, porém após as denúncias o problema teria ocorrido em proporção muito menor. "Houve uma vigilância muito mais intensa da Justiça Eleitoral e da sociedade", lembrou. Mas cobrou uma investigação profunda do Ministério Público que chegasse até a origem dos recursos do mensalão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.