Para Ivan Valente, PSOL teve sua ''missão cumprida''

Mesmo sem converter discurso em votos, ele agradeceu apoio recebido

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

06 de outubro de 2008 | 00h00

O desfecho da campanha do candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Ivan Valente, teve o tom de "missão cumprida" - frase que proferiu logo após votar na Saúde, zona sul de São Paulo. Mesmo sem converter o discurso de alternativa da esquerda em votos, Valente agradeceu o apoio intelectual que recebeu em manifesto assinado por ex-petistas.Só não foi melhor, segundo ele, porque o "financiamento de campanhas é privado, o que torna o processo eleitoral desigual". O tom das críticas subiu ao comentar os "métodos" dos adversários Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB). "Desafio que eles apresentem todos os custos de suas campanhas", disse. "É certo que há empreiteiras na lista."De acordo com Valente, a campanha teve balanço positivo ao estabelecer relações com movimentos sociais e apresentar suas propostas. "Mais do que o voto, o importante é transmitir nossas idéias à população", sublinhou o candidato.Valente, porém, reclamou do cancelamento do debate da Rede Globo de Televisão, momento que ele considera como exemplo da falta de democratização no País. Tão logo soube que não haveria debate, o PSOL redigiu uma longa carta em desacordo com a decisão da rede de TV - Valente praticamente a resumiu em coletiva a jornalistas antes de votar.O fim da disputa garantiu a Valente "muito aprendizado". Estudou os programas de governo dos concorrentes e garantiu que o de sua candidatura era o mais "transparente e programático". Esperava solucionar o problema da saúde com a implantação total do Sistema Único de Saúde (SUS), combater a indústria automobilística e renegociar a dívida pública com o governo federal.No Executivo, as chances sempre foram pequenas, mas Valente espera que o partido ganhe boa representação na Câmara Municipal. O nome mais forte é o de Miguel Carvalho, presidente estadual do partido. "Somos pequenos, mas não nanicos morais", disse, parafraseando a líder nacional do PSOL, Heloísa Helena.Amanhã Valente retorna a Brasília como deputado federal. Agora, segundo ele, os olhos voltam-se para o cenário internacional. Promete estudar o desenvolvimento da crise financeira norte-americana para debater o tema em plenário.PRIMEIRA VEZEsta foi a primeira campanha do PSOL - partido fundado por dissidentes do PT - em prefeituras no País. O corpo a corpo teve início no começo de abril, quando a ex-senadora Heloísa Helena percorreu São Paulo e cidades da região metropolitana alavancando seus primeiros candidatos nos municípios.A odisséia de Heloísa acabou, na ocasião, em um debate abarrotado de estudantes na USP - foco de militantes do PSOL na capital. Valente pediu transparência nas contas das fundações universitárias após denúncias na Universidade de Brasília (UnB).Na convenção do partido, que ratificou a candidatura de Valente e a coligação com o PSTU, o discurso contra o financiamento privado de campanha foi o mote do PSOL. Heloísa falava em "propinódromo" na triangulação entre o Executivo, o Legislativo e o setor empresarial.Eles propuseram um teto de campanha para todos os candidatos: R$ 500 mil. A idéia, porém, não teve eco entre os concorrentes, que apresentaram arrecadações até seis vezes mais polpudas.Valente nunca passou da faixa de 1% em pesquisas. Garantiu, porém, que nunca pagou cabos eleitorais para hastear bandeiras com seu nome nas ruas da cidade.FRASESIvan ValenteCandidato do PSOL"Financiamento de campanhas é privado, o que torna o processo eleitoral desigual""Desafio que eles apresentem todos os custos de suas campanhas. É certo que há empreiteiras na lista""Mais do que o voto, o importante é transmitir nossas idéias à população"

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