Para Itamar, Lula interfere mais que militares na Casa

Ele cita caso da CPI da Petrobrás e diz que Senado hoje é ?totalmente manipulado? pelo presidente

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2009 | 00h00

Depois de reclamar do que chamou de "interferência indevida e violenta" do Executivo no Congresso Nacional, o ex-presidente da República Itamar Franco (PPS) afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "se diz muito democrata, mas foi menos que os militares, porque está interferindo". "O Senado hoje é totalmente manipulado pelo presidente. Isso, no regime militar, não assistimos tão forte como se assiste hoje", afirmou Itamar. Ele citou especificamente a "interferência" na CPI da Petrobrás. "Nem o regime militar me proibiu de ser presidente (de comissões). E o problema nuclear era, para o presidente Ernesto Geisel (1974-1979), tão interessante quanto sempre foi a Petrobrás. No entanto, o governo, àquela época militar, não nos exigiu a relatoria e eu, como senador da oposição, presidi a política nuclear, como presidi a comissão que examinou as eleições diretas."Durante a ditadura militar, o Congresso foi fechado, mandatos parlamentares foram cassados e direitos políticos de cidadãos, suspensos - citado por Itamar, Geisel decretou o fechamento do Congresso em 1977. "É claro que, naquela época, eles podiam cassar mandatos. O presidente (Lula) não chegou a esse absurdo. Não sei se ele até 2010 vai cassar."Itamar ressalvou que o Legislativo está "permitindo" que ocorra o que ele chama de interferência. "O presidente está atuando violentamente no Legislativo, particularmente no Senado, e o Legislativo, de um modo geral, está permitindo. O que a gente começa a escutar nas ruas, ?fecha o parlamento?, é ruim. Não vão no núcleo central da crise, que é o presidente."Itamar voltou a defender a candidatura à Presidência do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), para ele "a única efetivamente colocada das oposições". "Enquanto alguns ciscam para lá e para cá, o governador de Minas está ciscando para a frente." Ele também disse que, com a eventual candidatura da senadora Marina Silva (sem partido-AC), haverá uma "alteração para melhor" do processo eleitoral, que, avaliou, "vai deixar de ser plebiscitário, como o governo deseja". Sobre uma candidatura sua, desconversou: "Entrei no PPS porque resolvi não continuar em voo solo. Para atuar politicamente, não eleitoralmente. Estava na arquibancada, vendo o jogo de longe. Agora passei a sentar no banco de reservas, mas sem chuteiras."O ex-presidente foi homenageado na Câmara Municipal do Rio, que rememorou atentado ocorrido no dia 27 de agosto de 1980, quando cartas-bomba foram enviadas ao gabinete do vereador Antonio Carlos de Carvalho (MDB), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao jornal Tribuna Operária.

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