Para Itamar, campanha tucana não deve esconder FHC

Um dos oradores mais aplaudidos no encontro de aliados do presidenciável José Serra (PSDB), em Brasília, o ex-presidente da República Itamar Franco (PPS), eleito senador por Minas Gerais, disse que a campanha tucana não deve "esconder quem quer que seja". Sem citar nomes, ele se referiu à ausência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na campanha de Serra à Presidência da República.

CAROL PIRES, Agência Estado

06 de outubro de 2010 | 18h01

"Não precisamos ficar escondendo qualquer um que seja do nosso lado. É por isso que tem que haver o confronto, mas o confronto das ideias. O povo quer saber o que nós pensamos. Qual é o nosso pensamento para os problemas estruturais? Qual é o nosso Brasil para esse mundo que vem?", afirmou Itamar Franco, ao criticar postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de creditar ao seu governo todas as conquistas do País.

"Ninguém inventou o Brasil, porque daqui a pouco teremos que dizer que quem abriu os portos do Brasil não foi D. João VI, foi o presidente Lula", completou o mineiro.

Itamar Franco sugeriu a Serra que ouça menos o apelo dos marqueteiros da campanha e que seja ele mesmo. "Me permita dizer isso: vossa excelência não precisa tanto dos marqueteiros, porque tem sua vida limpa. Seja mais o senhor do que o marqueteiro, porque vossa excelência tem uma vida limpa, uma vida honesta."

O ex-presidente afirmou ainda que a campanha em Minas Gerais, onde ele e Aécio Neves (PSDB) foram eleitos senadores e Antônio Anastasia (PSDB) venceu a disputa pelo governo estadual, a campanha de Dilma Rousseff (PT) levantou a tese de que os mineiros não poderiam eleger senadores da oposição.

"E a resposta que nós demos foi viril e forte. Nós dizíamos, a partir de Aécio e Anastasia, que em Minas os mineiros escolhem os seus candidatos", disse Itamar, sendo muito aplaudido.

Divisão

Em discurso, Aécio Neves seguiu a mesma linha do colega mineiro e afirmou que a campanha petista tentou dividir o Brasil entre os bons e os maus. "Essa foi a grande tentativa dos nossos adversários, como se fossem eles os virtuosos", afirmou.

O ex-governador mineiro terminou seu discurso afirmando que está em jogo não apenas a eleição de Serra, mas "a democracia e as liberdades individuais". Segundo Aécio Neves, a campanha de Serra precisa vender a ideia, no segundo turno, de que "o Brasil somos todos nós".

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