Para internautas, CPI atrapalha investimentos da Petrobras

Mais de cinco mil internautas (87%) dos 6.184 participantes da enquete do estadao.com.br acreditam que a CPI da Petrobras atrapalha os investimentos da estatal. Somente 805 (13%) das pessoas acreditam que a investigação não interfere. A comissão foi criada para investigar manobra contábil que rendeu à estatal compensações fiscais de R$ 4 bilhões.

18 de maio de 2009 | 18h28

 

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o PSDB de "irresponsável" e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que não há irregularidade e que a CPI atrapalharia os investimentos da Petrobras.

 

Questionado se acha que a CPI vai atrapalhar os investimentos da Petrobras, Guido Mantega, ministro da Fazenda, respondeu: "Não sei se vai atrapalhar investimento. Espero que não". Para ele, isso depende de como a CPI será conduzida. "Se a CPI for conduzida de forma benigna, construtiva, aí não vai atrapalhar nada, porque acredito que não vai apurar nada importante em relação à Petrobras", disse.

 

 

A CPI proposta pelo senador tucano Álvaro Dias (PR) contava originalmente com 32 assinaturas, cinco a mais do que o número necessário: com menos de 27 apoios uma comissão não pode ser instalada. Dias aproveitou o confronto entre a Petrobras e a Receita Federal para pedir a apuração da manobra contábil que rendeu à estatal compensações fiscais de R$ 4 bilhões. De quebra, solicitou investigação na Agência Nacional do Petróleo (ANP).

 

Apenas o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e Aldemir Santana retiraram o apoio à abertura da CPI apresentada pelo tucano. Para barrar as apurações, o Planalto trabalhou para que pelo menos seis senadores - metade deles do DEM - voltassem atrás, mas não obteve sucesso na empreitada.

 

Já o segundo requerimento para investigar a Petrobras foi barrado, segundo informações da Agência Brasil. Número suficiente de assinaturas foi retirado do documento, que obteve o apoio de apenas 24 senadores, número abaixo das 27 necessários para criar a CPI. O pedido é de autoria do senador Romeu Tuma (PTB-SP) e pretendia investigar supostas irregularidades nos contratos de construção das plataformas da Petrobras P-52 e P-54

 

A leitura dos requerimentos das CPIs escancarou a desorganização da bancada governista. Não foi só: senadores do PMDB, descontentes com demissões de afilhados políticos na Infraero, viram ali uma oportunidade para alfinetar o governo e deram sinal verde para a CPI. Preparado sob medida para não passar recibo, o discurso do Planalto atribui ao PSDB a responsabilidade pela traição e por "atrapalhar" os investimentos da Petrobras. "Não houve vacilo nem cochilo", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB).

 

Na prática, a instalação da CPI só ocorreu após manobra bem sucedida de quatro senadores tucanos que, diante de um plenário vazio, leram requerimento para sua criação na manhã de ontem. A tática foi deflagrada na noite de quinta-feira, logo após bate-boca entre parlamentares do PSDB e do DEM. Na ocasião, Heráclito Fortes (DEM-PI) e Mão Santa (PMDB-PI) recusaram-se a ler o requerimento e a sessão foi abruptamente encerrada pela petista Serys Slhessarenko (MT).

 

Irritados, os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE), presidente da legenda, e Tasso Jereissati (PSDB-CE) deixaram o plenário e já estavam no aeroporto quando foram alcançados pelo líder do PSDB, Arthur Virgilio Neto (AM), que os convenceu a permanecer em Brasília. Tasso chegou a emprestar seu avião particular para que o segundo-vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO), voltasse às pressas de Goiânia para Brasília, com o objetivo de presidir a sessão e ler requerimento.

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