Para Imbassahy, denúncia não deixa governo paralisado

Ministro da Secretaria de Governo diz que fatiamento de acusação contra presidente na Câmara não 'ajuda o País'

Tânia Monteiro e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2017 | 21h03

BRASÍLIA - Pouco depois de o Palácio do Planalto ser notificado com a denúncia contra o presidente Michel Temer, apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, negou nesta quinta-feira, 29, que esse processo vá deixar o governo paralisado. Imbassahy criticou o fatiamento das denúncias como deseja Janot e disse que o seu partido, o PSDB, decidiu, "há três semanas, por ampla maioria, permanecer no governo, apoiar as reformas e acompanhar as investigações". Para o ministro, "foi essa a posição que o PSDB tomou e está mantida".

Mesmo reconhecendo os problemas a serem enfrentados pelo governo, Imbassahy lembrou que, "se fizer uma retrospectiva, em todos os momentos de maior tensão, o Congresso votou as reformas estruturantes e ainda agora tivemos uma votação de grande importância na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça do Senado), com avanço do projeto da reforma trabalhista, com placar bem amplo, de 16 a 9".

Para ele, apesar de a apresentação da denúncia ser uma questão importante, esse problema "não vai de forma nenhuma paralisar (o governo)". Segundo Imbassahy, a perspectiva é de que o processo da reforma trabalhista seja concluído na quarta-feira da próxima semana. Ao ser lembrado que a reforma andou no Senado, mas que, na Câmara, a prioridade é a denúncia, o ministro citou que os deputados "têm uma pauta própria, específica". 

O ministro disse ainda que não há nenhuma definição se o recesso de julho será suspenso para que a denúncia possa tramitar de forma mais rápida. "Nós temos que aguardar a manifestação autônoma do Congresso Nacional", lembrou.

Imbassahy também criticou o fatiamento das denúncias, já que apenas a primeira delas foi apresentada por Janot. "Vamos aguardar mas, realmente, um fatiamento, não é uma coisa que ajuda o País. Vai ter que gastar energia, quando podia fazer uma coisa de maneira concentrada."

Imbassahy desconversou sobre a preferência do governo em relação à escolha do deputado que irá relatar a denúncia de Temer na CCJ da Câmara e disse que essa é uma decisão que cabe ao presidente do colegiado, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). "Tem que respeitar a avaliação que ele vai fazer", comentou.

Ao ser questionado sobre a pressa do presidente Michel Temer em anunciar Raquel Dogde, segunda da lista tríplice, como sucessora de Janot na PGR e se a decisão não poderia parecer uma revanche, considerando a rivalidade entre Raquel e Janot, o ministro disse que se o presidente demorasse poderia ter também algum tipo de crítica. "Ele tomou uma decisão, vamos dizer assim, que já havia especulações com relação às perspectivas dos três nomes que poderiam ser indicados na lista tríplice, havia uma avaliação preliminar, e tomou a decisão. Se demorasse, poderiam dizer 'está demorando'. Então foi rápido", alegou.

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